Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

Boletim da Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

Ano I — N.º 1 — Agosto de 1920

1920

    Capa

      Sumário

    Surgindo

    A greve dos marítimos

      Infames violências policiais

    Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

      SEÇÃO DO CENTRO (Secretariado Geral) — Rio de Janeiro

      SEÇÃO DO SUL — S. Paulo (Rua Barão de Paranapiacaba, 4 — Sala n. 10)

      SEÇÃO DO EXTREMO SUL — Porto Alegre (Rio Grande do Sul)

      SEÇÃO DO NORTE — Recife (Pernambuco)

      SEÇÃO DO EXTREMO NORTE — Belém (Pará)

    A propósito da organização de um partido operário

    Em prol dos deportados

    Normas de organização da Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

    Demonstração gráfica da organização da Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

    Balancete da C. E. 3.º C. O.

    O que se passou no 3.º Congresso Operário

      Atas de suas sessões

      Sessão preparatória

    A perseguição ao proletariado do Brasil

      O que a propósito resolveu o 3.º Congresso Operário

    Pareceres e conclusões

      As distinções no meio associativo — Como combater o aumento dos aluguéis das casas

    Normas de estatutos

    Recordação imperecível

    A obra do Congresso

    Violências, sempre violências!

    A fundação do sindicato

    Relatórios apresentados ao 3.º Congresso Operário

      Da União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo

      Da União dos Empregados no Comércio de Belém, Pará

    “Voz do Povo”

    Canhenho Proletário do Brasil

    Democracia e Sindicalismo

      Contra a política parlamentar e pela ação direta

    O sinete confederal

    Cerrando fileiras

      Um dos bons resultados do Congresso

    O operariado do Brasil e a situação internacional proletária

    O proletariado e a Revolução Russa

    Entrando em atividade

      O que foi resolvido nas duas reuniões realizadas no Rio, no mês de agosto

        Primeira reunião

        Desdobramento das atribuições dos secretários excursionistas

        “Boletim da Comissão Executiva”

        Relatório do Congresso

        O sinete da C. E. do Congresso

        A contribuição das organizações para a C. E.

        O saldo das entradas para as despesas do Congresso

        A aprovação das resoluções do Congresso

        Contra a Lei Adolfo Gordo

        Segunda reunião

        Os secretários excursionistas

        Em prol da concórdia do proletariado pernambucano

        As organizações que ainda não se pronunciaram sobre o Congresso

        Congresso Operário Sul-Americano

        Os conselhos consultivos das seções

        Manifestações de fraternidade associativa

    “A Vanguarda”

    Relatório do 3.º C. O. B.

    Pela confraternização do operariado de Pernambuco

      Intervenção amistosa da C. E. 3.º C. O. para que terminem as desarmonias

        O apelo da C. E. 3.º C. O.

        Como se pronunciou a “Hora Social”, órgão da F. T. P.

    A concórdia, enfim!

    Métodos de Organização

    Congresso Operário Regional do Rio Grande do Sul

      Realizado nos dias 21, 22, 23, 24 e 25 de março de 1920, em Porto Alegre

        Primeira sessão

        Segunda sessão

    A lei celerada contra o operariado

    Rompendo as fronteiras

    Pelo Brasil Proletário

      Em Minas Gerais

    O “Boletim”

    O falecimento do camarada Plácido, delegado ao 3.º C. O. B.

    Informações indispensáveis

      Greves e agitações

      Jornais proletários

      Boletins, manifestos, etc.

    Afirmação de princípios do proletariado organizado do Brasil

    Postais do 3.º Congresso Operário

Capa

BOLETIM DA COMISSÃO EXECUTIVA DO 3.º CONGRESSO OPERÁRIO

TRABALHADORES DO BRASIL, UNI-VOS!

Divisas da capa:

Sumário

Surgindo

Ao lançar o primeiro número do seu “Boletim”, a C. E. 3.º C. O., estuante de entusiasmo por ver a caminho de realização a obra grandiosa delineada na imponente constituinte do proletariado do Brasil, reunida no mês de abril na capital da República, envia a sua saudação calorosa à classe obreira que, neste imenso país, dos seringais do Amazonas às campinas do Sul, vive sujeita à dominação da burguesia, que a explora e tiraniza.

Surgindo como meio de divulgação dos trabalhos do organismo confederal das organizações existentes nesta região da América para a resistência e luta contra o regime capitalista, o “Boletim da C. E. do 3.º C. O.” será o veículo das relações entre o proletariado militante, fornecendo informações sobre o que se passar no ambiente sindical, debatendo os melhores métodos de organização, esforçando-se, enfim, para encaminhar os trabalhadores na batalha decisiva em prol de sua emancipação.

Para isso aparece o “Boletim”, que, com este primeiro número, embora palidamente, demonstra ao que se destina no seio do operariado do Brasil.


Greve de taifeiros, panificadores e culinários marítimos

Infames violências policiais

Os companheiros do Centro Marítimo dos Empregados em Câmaras e da União Culinária e Panificação Marítima, do Rio, ao ser compilado este número do “Boletim” encontram-se em greve já há vários dias para a conquista da jornada de 8 horas.

O movimento teve início nos vapores do Lloyd Brasileiro, estendendo-se depois aos de outras empresas, mantendo-se os grevistas com admirável firmeza, não obstante toda uma série de inqualificáveis violências de que têm sido vítimas.

Evidenciando mais uma vez a sua parcialidade ante as contendas entre patrões e operários, a polícia da capital da República assaltou e fechou as sedes das duas associações marítimas, pretendendo, dessa forma e com a prisão de numerosos obreiros, fazer terminar a greve com a submissão dos trabalhadores.

Enganou-se, porém, pois, não obstante essas inomináveis brutalidades, mesmo perseguidos e com as suas sedes encerradas, os companheiros taifeiros, panificadores e culinários marítimos continuam firmes na luta, realizando as suas assembleias em locais de sindicatos terrestres que prestam o seu apoio aos grevistas.

Aos esforçados camaradas do C. M. E. C. e da U. C. P. M. a C. E. 3.º C. O. penhora a sua solidariedade, lançando contra as violências policiais o seu indignado protesto, certa de que o proletariado tratará de solidificar cada vez mais a sua organização para evitar que tais ignomínias se reproduzam.


Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

SEÇÃO DO CENTRO (Secretariado Geral) — Rio de Janeiro

SECRETÁRIO GERAL — Edgard Leuenroth.

SECRETÁRIO EXCURSIONISTA — Domingos Passos.

TESOUREIRO GERAL — Antônio Guilherme Lopes.

ENDEREÇOS — Para o tesoureiro: Rua da Constituição, 12, sobrado, Rio de Janeiro. — Para o secretário geral (provisoriamente): Caixa postal 1336, S. Paulo.

SEÇÃO DO SUL — S. Paulo (Rua Barão de Paranapiacaba, 4 — Sala n. 10)

SECRETÁRIO PERMANENTE — Manoel Bueno.

SECRETÁRIO EXCURSIONISTA — Teófilo Ferreira.

ENDEREÇO — Caixa postal, 1.336.

SEÇÃO DO EXTREMO SUL — Porto Alegre (Rio Grande do Sul)

SECRETÁRIO PERMANENTE — Orlando Martins.

SECRETÁRIO EXCURSIONISTA — Alberto Lauro.

ENDEREÇO — Rua Comendador Azevedo, 30.

SEÇÃO DO NORTE — Recife (Pernambuco)

SECRETÁRIO PERMANENTE — Silva Gama.

SECRETÁRIO EXCURSIONISTA — José Elias da Silva (provisoriamente).

ENDEREÇO — Praça do Carmo, 107.

SEÇÃO DO EXTREMO NORTE — Belém (Pará)

SECRETÁRIO PERMANENTE — Felipe Fagundes.

SECRETÁRIO EXCURSIONISTA — Jorge Adalberto de Jesus.

ENDEREÇO — Rua General Gurjão, 44.

* * *

Os secretários permanentes de cada seção (S. Paulo, Porto Alegre, Recife e Belém) acumulam as funções de tesoureiro seccional.

* * *

As organizações aderentes à C. E. deverão pagar dez réis por sócio quites, efetuando, mensalmente, os pagamentos aos tesoureiros das seções a que pertencerem.

* * *

Tendo-se instalado definitivamente na rua da Constituição, n. 12, 1.º andar, Rio de Janeiro, a tesouraria geral da Comissão Executiva do Terceiro Congresso, previne-se a todas as associações que somente a este endereço deve ser enviada a correspondência destinada à tesouraria geral.

Comunica-se ainda que o tesoureiro geral se encontra no referido local, diariamente, das 7 às 9 horas da noite.

A propósito da organização de um partido operário

Fala-se algures em fundar um “partido operário” no Brasil.

Não sabemos ainda qual seja o seu programa por completo ou mesmo se o terá... Mas sabemos que adotará a tática eleitoral e desconfiamos bem que seja simplesmente um grupo todo consagrado às intrigas eleiçoeiras, trazendo a discórdia para o movimento operário, estorvando a constituição natural e gradual do verdadeiro partido do trabalho.

Porque evidentemente o nome de “partido operário” é usurpado e abusivo. Só pode haver um partido operário: aquele que possa admitir em seu seio todos os operários e só os operários, baseando-se sobre os interesses comuns a todos e por todos compreendidos ou sentidos. Para isso é preciso achar-lhe um sólido terreno de acordo.

A base do acordo não pode achar-se nos interesses e ideais indecisos, contraditórios e pouco compreensíveis da política e da religião. É um fato que o acordo não existe nesses pontos, nem teria uma base segura sobre que assentar-se.

A política parlamentar, por exemplo, divide os operários, que de política se ocupam, em duas facções bem distintas: a dos partidários e a dos inimigos da ação eleitoral e parlamentar. E entre os primeiros produz ainda rivalidades de partido, de candidatos, de pessoas, as mesquinhas intrigas que formigam na feira eleitoral.

Um partido político não é exclusivamente operário. Embora se proclame fundado sobre a luta de classes, admite em seu seio aspirações, tendências e hábitos mais ou menos estranhos à vida operária, e que podem ser legítimos e legitimamente integrar-se nas reivindicações do partido, mas que podem igualmente adquirir uma perigosa preponderância. E, neste sentido, o parlamentarismo é muito capaz — os fatos ensinam — de canalizar férteis movimentos pelas vias escuras e tortuosas das ambições pessoais...

A única base de acordo existente e possível para o “partido operário” são os interesses econômicos comuns a todos os trabalhadores. Só eles são suscetíveis de agrupar, de solidarizar os operários que lutam pela sua emancipação, os ativos, os conscientes. Muito mais facilmente do que quaisquer princípios políticos, eles podem chamar à ação, ao movimento, os elementos inativos e indiferentes, que não compreendem os ideais políticos ou que não dariam um passo por uma tática determinada.

Certamente, o verdadeiro operário não baniria da sua atividade a luta política: baniria unicamente as táticas políticas que dividem o proletariado, devolvendo-as aos respectivos partidos, pelos quais os operários se acham repartidos, em companhia mais ou menos numerosa de burgueses, semiburgueses, literatos e idealistas...

Faria como em religião. Embora inconfessional em matéria religiosa, não deixaria por isso de combater os padres, colocados ao lado dos patrões ou fundadores de associações operárias destinadas a desorganizar o proletariado e a embaraçar a sua marcha. Do mesmo modo, embora neutral em política, não deixaria de lutar, no terreno em que todos estão de acordo, contra as arbitrariedades governamentais e policiescas, contra a intervenção da autoridade política nas greves, nos conflitos entre o capital e o trabalho, contra a violação dos direitos de associação, de reunião, de palavra.

Esse partido elabora-se lenta mas seguramente: os operários constituem sindicatos profissionais ou de indústria, os sindicatos agrupam-se em federações, as federações reúnem-se numa confederação, limitando-se primeiro a um país, para mais tarde se ligar com as outras, internacionalmente.

É um grande e sólido partido, com base firme, formando-se de baixo para cima, do simples para o composto. Não há comitês diretivos, não há cabeças — facilmente decapitáveis. Autonomia do indivíduo dentro do sindicato, do sindicato dentro da federação, da federação dentro da confederação. A liberdade na unidade. É um organismo vivo em todas as suas partes, um oceano agitado em todas as suas vagas. Faz-se um apelo a todas as energias; pela propaganda e pela ação, faz-se a educação mútua no sentido de evitar que os indivíduos possam admitir chefes e depositar neles a sua confiança, a sua iniciativa, ficando desorientados quando esses chefes são empolgados pelo adversário.

Tal é o “partido do trabalho” que se elabora entre nós e que é já forte em quase todos os países da América e da Europa, onde o proletariado se acha fortemente organizado.

Fortemente estribados na prova indestrutível dos fatos, da experiência social, esperamos não pregar inteiramente em vão. Muito tempo se ganharia se o proletariado do Brasil, aproveitando o exemplo de fora, evitasse os escolhos em que bateu o operariado dos outros países.

N. V.


Em prol dos deportados

Prossegue ativamente por quase todo o país o movimento do operariado em favor dos companheiros que a fobia antiproletária dos dominantes desta terra fez com que daqui fossem sumariamente deportados, ferindo todos os preceitos legais e com requintes de desumanidade, pois, além de separarem muitos deles de suas famílias, entregues às torturas do abandono, ainda influíram no sentido dos governantes das nações para onde foram mandados sujeitarem-nos a outras tantas e infames barbaridades, como sejam a prisão e a deportação para regiões inóspitas.

No seio das organizações obreiras mais ativas trabalha-se em prol dessas vítimas da tirania capitalista, tratando-se de conseguir o regresso de alguns e de remeter recursos com os quais possam pelo menos atenuar as condições tormentosas em que se encontram os presos e os degredados.

Os trabalhadores em geral não podem deixar de prestar o seu apoio decidido e imediato a esse movimento de solidariedade.

Normas de organização da Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

O 3.º Congresso resolve:

1. — Nomear uma comissão de congressistas, que será denominada Comissão Executiva do Terceiro Congresso, cujas atribuições, funções e composição vão a seguir especificadas.

2. — A C. E. T. C. terá por atribuições coordenar todos os trabalhos necessários e tendentes à execução das resoluções de caráter geral tomadas neste Congresso.

3. — A C. E. T. C. se comporá de 1 secretário geral, 1 tesoureiro geral, 4 secretários seccionais e cinco secretários excursionistas.

4. — A C. E. T. C. se subdividirá em 5 seções: extremo-norte, com sede em Belém, compreendendo os Estados de Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Piauí e Acre; norte, com sede no Recife, compreendendo os Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia; centro, com sede no Rio, compreendendo o Distrito Federal, os Estados do Rio, Espírito Santo e Minas (menos as duas zonas do Sul do Triângulo); sul, com sede em São Paulo, compreendendo os Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso e as duas zonas do Triângulo e do Sul de Minas; extremo-sul, com sede em Porto Alegre, compreendendo os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

5. — Cada seção se comporá de 1 secretário permanente e 1 secretário excursionista.

6. — A seção do centro, composta do secretário geral, do tesoureiro geral e do 1.º secretário excursionista, terá a seu cargo, além das suas atribuições seccionais, todo o trabalho de coordenação e direção geral da ação da C. E. T. C.

7. — O secretário permanente de cada seção acumulará as funções de tesoureiro seccional.

8. — A Federação local da sede de cada seção designará 3 dos seus delegados, que constituirão o conselho consultivo de cada seção, sendo que essa designação, no Rio, caberá ao Conselho Geral dos Trabalhadores.

9. — Cada seção se reunirá ordinariamente com o conselho consultivo pelo menos uma vez por mês.

10. — A C. E. T. C. se reunirá conjuntamente, de 3 em 3 meses, no Rio, com a presença do secretário geral, do tesoureiro geral e dos 5 secretários excursionistas.

11. — Uma vez por mês cada seção apresentará à federação da respectiva sede (no Rio ao Conselho Geral) um relatório dos seus trabalhos; uma vez de 3 em 3 meses, por ocasião da reunião conjunta ordinária da C. E. T. C., o secretário geral fará um relatório geral dos trabalhos coletivos da C. E. T. C., o qual será enviado, em cópias, a todas as organizações aderentes a este Congresso.

12. — Cada associação aderente a este Congresso contribuirá com a quota mensal mínima de 10 réis por associado quites para as despesas gerais da C. E. T. C.

13. — O secretário geral e os secretários excursionistas serão subvencionados com ordenado igual ao ganho respectivo de cada um no seu ofício ou profissão, devendo todos entregarem-se exclusivamente aos trabalhos da C. E. T. C.

14. — Fica entendido que as organizações de cada região seccional aderentes a este Congresso auxiliarão, conforme as necessidades e as possibilidades, os trabalhos da C. E. T. C.

15. — A substituição, por impedimento forçado, de qualquer dos membros da C. E. T. C., será feita por indicação da Federação local da sede da seção (no Rio o Conselho Geral das Federações) referendada por todas as organizações aderentes a este Congresso.

16. — O mandato da C. E. T. C. terminará com a reunião do 4.º Congresso, a reunir-se daqui a um ano.

17. — As divisões seccionais da C. E. T. C. poderão ser alteradas conforme o indicarem as necessidades.

Demonstração gráfica da organização da Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário

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Demonstração gráfica da organização da Comissão Executiva do 3.º CONGRESSO OPERÁRIO

Balancete da C. E. 3.º C. O.

O tesoureiro da Federação dos Trabalhadores do Rio de Janeiro, a quem a Comissão Organizadora fizera entrega do seu livro caixa e do saldo das importâncias recebidas, de tudo fez entrega ao camarada tesoureiro geral da C. E.

No próximo número do BOLETIM publicaremos o balancete contendo todas as quantias recebidas e as despesas feitas antes, durante e após a realização do Congresso. Deixamos de inseri-lo neste número em consequência de excesso de matéria.

O que se passou no 3.º Congresso Operário

Atas de suas sessões

Para que o proletariado possa cientificar-se de maneira mais completa de como se desenrolaram os trabalhos do 3.º C. O., iniciamos neste número do BOLETIM a publicação das suas atas, visto que no relatório somente figurarão as moções aprovadas.

Sessão preparatória

Aos vinte e três do mês de abril de mil novecentos e vinte, na sede da União dos Operários em Fábricas de Tecidos, sita à rua Acre, 19, nesta capital, reuniram-se os delegados das associações operárias que aderiram ao Terceiro Congresso Operário do Brasil, em sessão preparatória para as sessões do citado Congresso, que será aberto no dia 25 de abril no mesmo local.

Às 8 horas da noite, o camarada Antônio Cruz Júnior, membro da Comissão Organizadora, abre a sessão, sendo ladeado pelos restantes membros da Comissão.

Em seguida, o secretário da Comissão procede à leitura da ordem do dia, que é a seguinte:

  1. Verificação de poderes;

  2. Relatório da Comissão Organizadora;

  3. Designação de um congressista para dirigir os trabalhos;

  4. Acumulação de poderes;

  5. Normas do Congresso;

  6. Apresentação dos relatórios.

Dando início à ordem do dia, o presidente dá a palavra ao secretário, que procede à chamada dos congressistas representantes das organizações aderentes. Cada um, por sua vez, respondia à chamada, correndo essa formalidade na melhor ordem.

O critério adotado para a chamada foi o de antiguidade de adesão, conforme o registro elaborado. Dessa forma, a cada congressista presente era entregue um cartão de representação que facultará o acesso dos mesmos nos trabalhos do Congresso.

Terminada a chamada, o camarada presidente declarou que se achavam presentes à sessão preparatória 111 delegados.

Foi, em seguida, lido o relatório apresentado pela Comissão Organizadora. Passou-se, então, a tratar da representação da imprensa proletária, sendo apresentada pelos delegados de S. Paulo uma proposta nos seguintes termos:

“A delegação de S. Paulo propõem que a imprensa proletária tenha direito a representação e de palavra, sem, contudo, ter direito a voto.”

Discutida animadamente pelos congressistas, foi aprovada.

É enviada à mesa a seguinte proposta dos representantes da Federação Operária do Rio Grande do Sul e da União dos Artífices em Calçados de S. Paulo:

“Propomos que se nomeie uma comissão com o fim de coordenar os temas para as sessões seguintes do Congresso.”

Submetida à apreciação da assembleia, foi unanimemente aceita, ficando a comissão constituída pelos seguintes camaradas: Edgard Leuenroth, José Elias da Silva, Alberto Lauro, José Alves Diniz e João da Costa Pimenta.

De conformidade com a ordem do dia, o camarada presidente pede à assembleia a nomeação do camarada que deve presidir a sessão inaugural.

Após algumas indicações, foi escolhido o camarada João da Costa Pimenta.

Discute-se o assunto subsequente, que é a acumulação de poderes, deliberando-se que cada delegado terá apenas direito a um voto, embora represente mais de uma associação.

O secretário procede à leitura da proposta da Comissão Organizadora com referência às normas a observar durante as sessões do Congresso, sofrendo alguns artigos várias emendas e substituições, aprovando-se, finalmente, com a seguinte redação:

I — A mesa compor-se-á de um presidente e dois secretários, aclamados na ocasião, e de um secretário de atas, aclamado na sessão inaugural e que será efetivo.

II — A mesa terminará o seu mandato logo que a ata seja aprovada.

III — A hora de início das sessões será às 7 horas e a de encerramento à meia-noite, salvo resolução em contrário da assembleia, que poderá prorrogar os trabalhos em caso de necessidade.

IV — Na discussão dos temas será dada a palavra de preferência aos delegados das associações que as apresentaram.

V — Na discussão dos temas, os delegados cingir-se-ão unicamente ao tema em debate, procurando ter em conta a exiguidade de tempo disponível para os trabalhos do Congresso.

VI — Os membros da mesa terão também direito à discussão e votação, sendo que para discutir deverão ser substituídos.

VII — A votação será individual e simbólica, havendo sempre contraprova; no caso de empate na mesma, o desempate verificar-se-á na sessão seguinte sem discussão.

VIII — Toda e qualquer proposta deverá ser apresentada por escrito.

IX — Serão também registradas nas atas todas as propostas e moções reprovadas.

X — Quando os temas de agora se relacionarem com os temas debatidos nos congressos anteriores, serão as respectivas conclusões destes últimos lidas preliminarmente à assembleia, para esclarecimento dos debates atuais.

XI — A mesa, ao encerrar a sessão, apresentará ao critério da assembleia a ordem do dia da sessão seguinte.

Terminando-se este assunto, tratou-se da franquia ao público e à imprensa burguesa às sessões do Congresso, sendo enviada à mesa a proposta infra, feita pelo camarada José Elias da Silva:

“Proponho que se declare franca a entrada no recinto do Congresso não só ao público, mas também à imprensa burguesa.”

Depois de breve discussão, aprovou-se.

Chega nesta altura à mesa uma saudação ao Terceiro Congresso enviada pelo camarada Santos Barbosa, que acabava de ser posto em liberdade, após uma detenção arbitrária em consequência de um incidente em um dos teatros da capital.

Usa da palavra o camarada Elias, que faz várias ponderações sobre o atraso de algumas delegações vindas de fora, como as da Bahia e Pará e mesmo algumas da capital, como marítimas, que se reuniam para esse fim e sendo de grande relevância a sua assistência aos trabalhos do Congresso desde o seu início, propõe o seu adiamento para o próximo domingo, 25 do corrente.

Submetida à apreciação dos congressistas foi por unanimidade aprovada.

O delegado da Aliança dos Trabalhadores em Marcenarias, do Rio, alvitra que, em virtude da sessão inaugural ser transferida, se efetuem duas reuniões no próximo domingo, começando a primeira às 13 horas e a segunda às 19 horas, ficando unanimemente aceitos esses alvitres.

Neste momento, os delegados de S. Paulo e do Rio Grande do Sul enviam à mesa a moção abaixo, entusiasticamente aprovada:

“O Terceiro Congresso Operário do Brasil reunido em sessão preparatória, constatando a ausência dos representantes de várias associações desta capital, tendo em conta a grande importância que o presente certame proletário representa para o desenvolvimento da vida associativa da classe trabalhadora e considerando que a participação nos seus trabalhos não corresponde de forma alguma à quebra de autonomia de cada associação, pois o que objetiva é conseguir, pela livre troca de ideias, os moldes de orientação atinentes ao conseguimento das bases para uma ação conjunta na defesa dos direitos comuns à coletividade obreira, o Congresso resolve reiterar o apelo dirigido às mesmas organizações pela Comissão Organizadora para que se apressem a enviar a sua adesão, demonstrando, assim, que compreendem a magnitude do atual momento histórico, em que o proletariado internacional se agita em prol das supremas reivindicações.”

Surge, então, uma proposta para que seja encerrada a sessão em vista do adiantado da hora.

Essa proposta foi aprovada, encerrando-se a sessão à 1 hora e 45 da madrugada.


A perseguição ao proletariado do Brasil

O que a propósito resolveu o 3.º Congresso Operário

Como o relatório dos trabalhos do Congresso ainda está em preparação, julgamos necessário antecipar a publicação das resoluções que foram tomadas no sentido de se fazer frente às perseguições praticadas até aqui discricionariamente contra os trabalhadores deste país. Para os alvitres apresentados pelo Congresso chamamos a atenção do proletariado militante, para tratar de empregar os necessários esforços no sentido de serem postos em execução.

O Terceiro Congresso Brasileiro resolve:

1.º — Lembrar aos trabalhadores de transportes marítimos e terrestres, tripulantes de navios e ferroviários que se neguem sistematicamente a transportar operários expulsos, deportados ou desterrados. Para isso deverá o organismo central a ser criado por este Congresso entrar em entendimento direto com as associações marítimas e ferroviárias, no sentido de obter um compromisso formal da parte delas para a execução desta medida primordial de defesa.

2.º — Encarregar o referido organismo central de entrar em imediato entendimento com as organizações marítimas dos países que mantêm linhas de navegação para o Brasil, no sentido de obter dos tripulantes dessas linhas o compromisso de não transportarem nenhum operário expulso do Brasil.

3.º — Nomear desde já uma comissão de três membros, a qual se encarregará da compilação de um relatório completo e documentado das atuais perseguições ao operariado do Brasil, devendo esse relatório ser enviado às organizações proletárias de todo o mundo, especialmente às dos países que mantêm corrente emigratória para o Brasil.

4.º — Encarregar ao mencionado organismo central da escolha, referendada pelas associações aderentes a este Congresso, de um delegado especial que seja enviado à Europa com o fim de dar o mais amplo desempenho ao exposto nas alíneas 2.ª e 3.ª

5.º — Encarregar o mesmo organismo central da preparação e organização, em todo o Brasil e em dia previamente designado, de uma demonstração coletiva de protesto, da forma que as necessidades aconselharem, contra as atuais perseguições e repressões governamentais exercidas sobre as classes operárias, encerrando associações, proibindo e dissolvendo violentamente reuniões e prendendo e expulsando os obreiros militantes.

6.º — Aconselhar aos gráficos que trabalham na imprensa burguesa a não comporem artigos e notícias caluniosas contra o proletariado, notícias e artigos esses que têm o fim de justificar a reação, e aos jornais proletários a desenvolverem as notícias em vários idiomas sobre essas violências contra os trabalhadores.

7.º — O Terceiro Congresso julga também de seu dever concitar as organizações operárias do Brasil a prestarem o seu apoio aos comitês constituídos para prestar auxílios aos perseguidos e às suas famílias, tratando ainda de formar novos comitês com o mesmo intuito em todos os pontos do Brasil, para os quais as associações devem concorrer com os recursos necessários na medida de suas possibilidades, a fim de que os referidos comitês possam cumprir a sua alta missão social.

Pareceres e conclusões

As distinções no meio associativo — Como combater o aumento dos aluguéis das casas

Ao estudo do Congresso foram submetidos vários memoriais contendo pareceres e conclusões sobre os temas em debate. Como ficou resolvido que aos mesmos fosse dada publicidade, inserimos neste número do BOLETIM o que foi apresentado pelo camarada Adalberto Vianna, que representou o Sindicato de Canteiros de Lageado, Estado de S. Paulo.

A finalidade dos trabalhadores está na sua emancipação completa, e para chegar a ela hão de criar-se organismos que eduquem, não apenas para “conhecer a questão social”, mas, sobretudo, o “meio”, sempre diverso, de combater a organização burguesa.

Assim sendo, penso que todas as organizações que não correspondam à necessidade da luta contra o capitalismo, favorecendo o trabalho, devem ser combatidas, até serem totalmente extintas.

O fim da agremiação dos homens é conjugar forças, para, junto de outras, formar o conjunto de diversos homens ou de várias classes, a fim de oferecer resistência à força bruta, organizada secularmente, até dominá-la, para impor um direito — o direito dos produtores ao produto por eles manufaturado. E mais:

Prejudicar, pelos meios que estiverem ao seu alcance, a organização que não seja de caráter revolucionário ou tendente a tornar-se, por não haver maior empecilho para o desenvolvimento da ideia de emancipação dos trabalhadores do que uma associação que cria cargos associativos, como sejam, depois do de presidente, os de beneficentes, honorários, benfeitores, etc.

A sugestão de cargos de distinções numa sociedade de iguais, dividindo os sócios em honorários, benfeitores ou beneficentes, traz como consequência a luta de competições, de ambições e, não raro, de ressentimentos, que engendram o ódio entre os seus componentes. É uma demonstração da desigualdade hoje dominante nos ramos da atividade trabalhista. É um privilégio a mais que temos a destruir quando se nos impuser a consecução dos fins que temos em vista.

Uma associação pode ter um fim diferente ao para que foi ou devia ser fundada.

Desviada dos seus fins, pode ser ou tornar-se prejudicial, não só às demais associações, como aos seus próprios associados.

Numa associação desviada, ou mesmo retardatária, há contra nós, operários, a mais perigosa das armas que combatem o associativismo, impondo uma disciplina humilhante, ou espalhando receios, covardias e maus exemplos para a dignidade humana.

Gravitamos para o progresso, que será tanto maior quanto os estudos e práticas das observações mais elevadas e coerentes se forem aplicando na ação dos homens.

A nossa finalidade é, portanto, agir contra a associação que não tiver os citados requisitos e contra os sócios desta nas oficinas ou repartições em que trabalhem, não só pela sabotagem, como pela boicotagem, que só devem ser conhecidas e praticadas por camaradas de absoluta confiança dos sindicatos, para que não se tornem suspeitos os sócios de uma determinada classe, ou desta, determinados sócios.

Passando a tratar dos problemas de união sindical, em que há uma variedade infinita, aponta a questão de raça e de casta, que, sendo na aparência iguais, são, no entanto, muito diferentes no fundo.

O Brasil, eu exemplifico, é um composto de raças diferentes, de costumes diversos, agindo diversamente em grupos isolados e sem programa sobre todas as questões que rebelam e interessam as classes produtoras; por isso mesmo, é o país preferido pelos capitalistas, que veem nele uma presa fácil, um autômato simples, um aparelho utilíssimo aos seus manejos burocráticos de usurpação e roubo.

É preciso agir dentro de um programa que satisfaça à diversidade de educação, tendo a afirmação de um princípio.

Assim como o capital se vai escapando para acumular-se cada vez mais em menor número de capitalistas, a crise econômica se alarga, espalhando pelas multidões o interesse de analisar ou estudar mais de perto as questões da economia pública.

A criação do Sindicato dos Inquilinos em todas as cidades dos Estados, como sucursais de uma Federação dos Alugatários, as quais fossem dirigidas por um só organismo (a Confederação Geral do Brasil), tendo como mensalidades apenas a quantia de 200 réis para cada pessoa, daria uma esplêndida obra de organização proletária, que podia firmar para sempre a força do organismo social no Brasil.

Nela não só o operariado das cidades ingressaria, como o dos campos, e até soldados e marinheiros tomariam interesse pela sua vitória.

Seria mais do que um partido, porque seria a quase totalidade dos habitantes do país.

Podiam nomear-se comissões de propaganda para fazer conferências, bailes, leilões e outras festas nas sucursais diversas que se espalhassem pelas diferentes cidades.

O problema do antagonismo de costumes estaria resolvido, a propaganda ampliada e generalizada e a felicidade para novas organizações se naturalizaria.


Normas de estatutos

Com o fim de facilitar o trabalho de constituição de novos organismos sindicais pelo interior do país, a C. E. vai compilar esboços de estatutos para sindicatos de ofícios, de indústrias, ligas de ofícios vários, grupos de propaganda proletária, Uniões Gerais e Federações, obedecendo às normas estabelecidas pelos três Congressos Operários, esboços esses que poderão ser aproveitados, com as devidas adaptações de caráter local e adstritas às condições de cada corporação a que se destinar.

Recordação imperecível

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Aspecto da sessão inaugural do 3.º C. O. B.


Primeira excursão de propaganda

O camarada Domingos Passos, secretário da Seção do Centro, está percorrendo o Estado do Rio.

De acordo com as resoluções do Congresso, que deixou a cargo da Seção do Centro os Estados do Rio, Espírito Santo e Minas Gerais, numa reunião realizada no Rio, com a presença dos membros da C. E., da C. E. da Federação Operária do Estado do Rio e da direção da “Voz do Povo”, julgou-se conveniente que a primeira excursão de propaganda da organização do operariado e do jornal fosse realizada pelo Estado do Rio.

Ficou então decidido que o camarada Domingos Passos, secretário excursionista da referida Seção, partisse o mais breve possível.

Sobre o trabalho a ser desenvolvido pelo companheiro Passos, ficou assentado que os seus esforços devem ser empregados no sentido de conseguir lançar as bases, em cada localidade que visitar, de uma organização dos trabalhadores da cidade ou do campo, que poderá ser um sindicato de indústria ou de ofício, uma liga de ofícios vários, ou, quando isso não for possível, pelo menos um grupo de propaganda proletária.

A Federação Operária do Rio, em reunião realizada para tratar de facilitar a marcha dos serviços da Comissão Executiva do Terceiro Congresso, aceitou o plano de excursões que o camarada Passos apresentou, o qual já havia sido aprovado pela C. E., pela Comissão Executiva da F. O. do E. do Rio e pela direção da “Voz do Povo”.

Resolveu também fornecer-lhe uma credencial como seu representante em excursão e lançar um apelo às organizações das localidades do Estado do Rio, por onde esse camarada passar, e a todos os camaradas que se interessem pela nossa obra, para o auxiliarem no cumprimento de sua missão.

O camarada Passos partiu no princípio da primeira quinzena de agosto, tendo visitado até à data em que compilamos este número do “Boletim” as localidades seguintes: Niterói, Petrópolis, Pedro do Rio e Entre-Rios.

No próximo número daremos conta do trabalho que até então haja realizado o nosso companheiro nesta primeira excursão da obra planejada pelo Terceiro C. O. B.


Violências, sempre violências!

A polícia fluminense prendeu o camarada Domingos Passos, secretário excursionista da Seção do Centro da C. E.

Conforme dizemos em outra parte do “Boletim”, o nosso companheiro estava em viagem de propaganda pelo Estado do Rio, tendo sido detido, sem justificativa alguma, apenas em obediência ao espírito reacionário dos mandões daquela feitoria, em Entre-Rios, de onde foi transportado para Niterói e depois para o Rio, sob as ordens do já famigerado sr. Geminiano da Franca.

É mais uma violência, tão estúpida quão inútil, feita a todo o proletariado, contra a qual a C. E. lança o seu veemente protesto em nome dos trabalhadores do Brasil.

A fundação do sindicato

Muitas vezes os trabalhadores se acham embaraçados tratando de fundar uma sociedade de resistência. E, no entanto, nada mais simples.

O grupo, que tomou a iniciativa da constituição do sindicato, reúne-se e encarrega um indivíduo ou uma comissão de elaborar um projeto de estatutos, de pacto associativo, que será depois discutido em assembleia geral, após convite dirigido a todos os operários que se procura agremiar.

Esse pacto social deve ser o mais resumido possível, despido de vãos formalismos e de estorvos à ação sindical. Em todos os seus atos, o sindicato deve abolir as formalidades inúteis, simplificando tudo. Quem quer agir depressa e muito, constantemente, veste pouca roupa e foge às... camisas de força; quem empreende uma viagem longa, para caminhar ligeiro leva bagagem leve. Em França uma ativa organização de camponeses, gente prática e pouco formalista, tem uns estatutos com 9 artigos.

Em geral, o pacto social deve estatuir apenas estes pontos:

1.º — Os fins do sindicato, que a nosso ver devem ser: “a”) imediatos, o melhoramento das condições presentes, a propaganda associativa, a educação; “b”) a emancipação integral do trabalhador.

2.º — A não participação do sindicato na luta de um partido político.

3.º — A não admissão de patrões e pelo menos a exclusão da administração dos que têm compromissos com os patrões, sendo seus empregados de confiança, como os contramestres; exclusão rigorosa, igualmente, de políticos profissionais. Só poderão fazer parte dos sindicatos os salariados enquanto exercerem o seu ofício, salvo o caso de desocupação forçada.

4.º — Porta fechada aos funcionários pagos. Quando o sócio perde horas de trabalho em serviço do sindicato, deve receber como indenização unicamente o que ganharia em média exercendo o seu ofício; mas isto apenas quando e enquanto o serviço do sindicato é incompatível com o exercício da profissão. Este ponto é importante.

5.º — Uma administração reduzida à sua mais simples expressão: um secretário (ou mais, se o exigir o serviço) e um tesoureiro; quando muito, alguns conselheiros e revisores de contas. Estas funções são puramente administrativas, e não diretivas; trata-se de um serviço, de um trabalho a executar segundo um encargo dado e aceito e escrupulosamente cumprido. Estes funcionários não mandam mas trabalham; não impõem ideias ou vontades próprias, mas executam resoluções tomadas.

Devem ser substituídos com frequência, não só porque estas funções são um encargo e não uma honra ou um privilégio, mas também porque contribuem para a educação dos operários.

A estes pontos podem juntar-se outros que variam segundo as circunstâncias: instituição de biblioteca, de escolas profissionais, de obras de propaganda, etc.

NENO VASCO.


Relatórios apresentados ao 3.º Congresso Operário

Correspondendo ao apelo que lhes foi dirigido pela Comissão Organizadora do 3.º C. O., a maior parte das associações que nele tomaram parte, e mesmo algumas que não participaram de seus trabalhos, enviaram relatórios contendo interessantíssimas informações, que, em conjunto, dão uma ideia geral da situação do movimento operário do Brasil. Em cada número do BOLETIM inseriremos alguns desses relatórios, saindo no presente o da União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo e o da União dos Empregados do Comércio de Belém, Pará.

Da União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo

No mês de maio de 1919, depois de uma greve, em que tomaram parte diversos estabelecimentos gráficos, alguns companheiros tiveram a ideia oportuna e necessária de convidar a classe para lançar as bases da União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo.

Como a ocasião era propícia e aqueles companheiros bem souberam desempenhar-se da sua incumbência, no fim daquele mesmo mês era constituída definitivamente a União, numa assembleia bem numerosa, realizada no salão existente no largo do Riachuelo.

Em fins de julho do mesmo ano, foram aprovados os seus estatutos, elaborados por uma comissão nomeada no dia em que a União foi organizada.

Os principais pontos desses estatutos são os seguintes:

“Art. 2.º — A União dos Trabalhadores Gráficos, tendo por objetivo promover o melhoramento econômico, moral e intelectual da classe, concitando-a para a realização de uma luta inteligente e ampla em favor da sua emancipação integral — aceita, como princípio basilar da sua existência, a luta de classes, e declara que intervirá nela utilizando os meios de ação próprios e especiais da organização operária. E, de acordo com este propósito, manifesta a sua solidariedade com todas as associações de trabalhadores, sejam da classe ou não, que aceitem ou mantenham iguais princípios.

Art. 5.º — A União dos Trabalhadores Gráficos propõe-se a conseguir os fins por ela colimados pelos seguintes meios:

a) promovendo conferências instrutivas e de propaganda dos meios de emancipação proletária;

b) editando publicações de caráter técnico e de defesa proletária;

c) incentivando a organização de uniões similares em todas as localidades do Estado de S. Paulo e circunvizinhanças; e

d) intensificando a maior solidariedade dos membros da classe gráfica, a fim de se prestarem reciprocamente o auxílio de que precisarem quando feridos na sua dignidade ou prejudicados nos seus interesses econômicos.”

De acordo com os estatutos que encerram esses dois artigos, tem a União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo pautado os seus passos no ano incompleto de sua existência.

* * *

A classe gráfica de S. Paulo é muito divergente no modo de encarar as questões que dizem respeito à coletividade. Espíritos independentes, os gráficos paulistas resolvem sempre os assuntos que lhes são afetos com a maior largueza de vistas e por maioria, nas assembleias gerais. Apesar dessa divergência de ideias, e de muitos contratempos que apareceram, a União dos Trabalhadores Gráficos conta hoje com mais de 1.230 associados, contendo em seu seio tipógrafos e seus anexos, encadernadores e correlativos, pautadores, impressores, linotipistas, mecânicos-linotipistas, remessistas, enfim, todos os operários gráficos que a ela queiram pertencer.

A quota paga pelo associado é de 1$000, além de $500 pela caderneta-estatuto. O máximo das contribuições arrecadadas não tem passado de 600$000 a 700$000 por mês, o que quer dizer que metade dos seus membros não é pontual no pagamento das respectivas contribuições. Para esse resultado contribuem diversos fatores, dos quais o principal é a escassez de bons elementos que se queiram interessar pela sociedade e que se encarreguem da cobrança das quotas nas respectivas oficinas. Trata-se presentemente de remediar este inconveniente, que há de ser removido.

* * *

No curto espaço de 11 meses de existência, a União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo tem tomado parte na solução de diversos conflitos suscitados entre os seus componentes e os proprietários de estabelecimentos gráficos. Promoveu acordos, dirigiu greves, procurou e conseguiu organizar uma seção congênere na cidade de Santos; enviou ao Rio uma comissão composta de cinco membros, por ocasião da greve no “Jornal do Comércio”, e serviu de veículo para a organização de outras classes.

* * *

Durante o lapso de tempo que vai de julho de 1919 a fins de março do corrente ano, a União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo realizou para mais de 20 assembleias gerais ordinárias e extraordinárias.

Reuniu as diversas corporações de inúmeros estabelecimentos gráficos, com o intuito de estreitar as relações entre os seus associados. As reuniões dos representantes nas oficinas, mais ou menos concorridas, têm-se realizado quase normalmente todas as semanas.

* * *

Em 19 de março do corrente ano, a União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo deu início ao recenseamento da classe em geral. Tal trabalho, que, parece, é novo nos meios operários nacionais, deveria ser apresentado a este Congresso. Não foi possível concluí-lo, dada a falta de tempo. A estatística trata dos ordenados que percebem os gráficos de S. Paulo, das suas condições técnicas, das horas de trabalho, etc.

* * *

Os principais movimentos em que tem tomado parte a União dos Trabalhadores Gráficos podem ser resumidos nos seguintes, que foram os mais importantes: greve na Casa Duprat, acordo no “Correio Paulistano”, greve n'“A Gazeta”, greve na Casa Espíndola, acordo na Casa Siqueira, greves no “Estado de São Paulo” e diversos acordos na Companhia Paulista de Papéis e Artes Gráficas.

* * *

A greve na Casa Duprat, em que foi solicitado aumento de salário, terminou com um acordo favorável aos nossos companheiros. Esse movimento foi de curta duração.

— Os acordos celebrados pelos companheiros do “Correio Paulistano” e da Casa Siqueira, em que a União interveio, tiveram igualmente satisfatória solução.

— A greve n'“A Gazeta” teve também desfecho favorável para os grevistas, que conseguiram aumento de seus ordenados.

— Na Casa Espíndola foi declarada uma greve, que se prolongou pelo espaço de 26 dias. Afinal, devido a um acordo, os grevistas voltaram ao trabalho. Se é verdade que conseguiram algumas melhorias, também é exato a greve ter deixado vítimas, pois dois companheiros foram constrangidos a não mais trabalhar naquela casa. Durante o período em que se conservou em parede, o pessoal da Casa Espíndola realizou 24 assembleias, assistidas pela Comissão Executiva. Esses companheiros deram um belo exemplo de solidariedade, infelizmente um pouco empanado com o desfecho dado à questão.

— O movimento que mais empolgou a classe trabalhadora de S. Paulo foi, sem dúvida, o provocado pela gerência do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Havia já muito que o “Estado”, apesar do seu pseudodemocracismo e da sua falsa qualidade de “amigo dos operários”, vinha preparando um choque com a União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo. E assim, julgando oportuno o momento, no dia 26 de janeiro, à noite, o gerente daquele jornal, servindo-se do pretexto que lhe forneceu uma simples reclamação de aumento de salários, quis experimentar a força e disposição de ânimo dos nossos companheiros que trabalhavam naquele jornal. Foi às oficinas e, em termos indelicados e provocadores, disse “que não tinha que dar satisfações ao seu pessoal” e que quem não estivesse satisfeito, poderia retirar-se.

Os nossos companheiros, surpresos, não tomaram deliberação alguma no momento. Apenas um pediu as suas contas. Mais tarde, um outro companheiro fez a mesma coisa.

À vista destes fatos, a Comissão Executiva da União dos Trabalhadores Gráficos resolveu reunir todo o pessoal daquele jornal, na madrugada de 27 de janeiro, além das corporações dos demais matutinos.

Convidados, compareceram quase todos os nossos companheiros interessados e, depois de ampla discussão, resolveram eles apelar para a greve, como um desagravo à classe pelos insultos que lhe foram atirados pelo gerente do “Estado”.

Assim, no mesmo dia 27 foi declarada a greve nas oficinas do “Estado de S. Paulo”. A direção desse jornal apelou para um dos seus redatores, que partiu imediatamente para o Rio de Janeiro, onde procurou e conseguiu

arrebanhar 4 ou 6 crumiros, que foram substituir os nossos companheiros. Estes, apesar desse fato, que poderia ter influído para forçá-los a desistir da parede, continuaram firmes na sua atitude.

Com os 4 ou 6 “desejáveis” vindos do Rio e mais os seus 4 “camaradas” que ficaram trabalhando, o jornal “maximalista” não deixou de circular, embora a sua circulação tivesse sido restrita à capital.

Prolongando-se a greve, decidiram os companheiros paredistas publicar um pequeno boletim diário, em forma de jornal, a que deram o nome de “A Greve n'O Estado”. O jornalzinho dos grevistas teve muita aceitação por parte do público, e era disputado principalmente pelo jornal que se dizia “amigo dos operários”... A publicação do boletim pôs em foco a atitude “liberal” do “Estado”, e muito contribuiu para o desprestígio da “elite” que o dirige.

Apesar de todos os contratempos que se nos antolharam no caminho da luta contra o “maximalismo paulista”, apesar da influência do seu dinheiro, teríamos vencido a greve se não fora o procedimento precipitado e incorreto de alguns companheiros, que voltaram ao trabalho justamente na ocasião em que a balança pendia para o nosso lado. A esses companheiros, indiscutivelmente, cabe a inteira responsabilidade do meio fracasso da greve nas oficinas do “Estado de S. Paulo”.

* * *

Para auxiliar os grevistas da Casa Espíndola e do “Estado de S. Paulo” (uns 150 aproximadamente), a Comissão Executiva da União dos Trabalhadores Gráficos resolveu, e posteriormente foi aprovado em assembleia geral, abrir uma subscrição voluntária, que deu bons resultados.

Essa subscrição atingiu à importância de 3:400$000.

* * *

Em outubro do ano findo houve uma greve geral no Estado de S. Paulo. Os gráficos não estavam preparados para tal movimento. Apesar disso, foi, em assembleia geral da União dos Trabalhadores Gráficos, declarada a greve da classe, por solidariedade, com o prazo marcado de 48 horas. Esta deliberação não foi bem recebida por diversas corporações dos jornais diários, que divergiram dessa medida. À vista dessa divergência, as outras corporações dos jornais resolveram, por sua vez, não abandonar o trabalho. Nas oficinas de obras a deliberação em questão foi cumprida na sua quase totalidade.

A greve geral, que já estava em declínio, terminou rapidamente.

Essa greve teve, como todas as greves que se realizam no Estado de S. Paulo, o seu cortejo de arbitrariedades, cometidas pela polícia. Prenderam e deportaram muitos trabalhadores. E a União dos Trabalhadores Gráficos não podia escapar à perseguição da polícia do Estado modelo...

Assim é que os companheiros José Sgai e J. C. Pimenta, respectivamente primeiro secretário e secretário geral da mesma associação naquela emergência, foram encarcerados.

O companheiro José Sgai foi posto em liberdade após 24 horas de prisão.

O companheiro J. C. Pimenta, depois de 30 dias de prisão, sem a menor prova de culpa, sem nada que isso autorizasse, foi embarcado em Santos, a bordo do “Sérvulo Dourado”, e expulso para Porto Alegre.

Convém notar que para conseguir a liberdade daquele companheiro foram empregados pelos gráficos paulistas todos os meios ao seu alcance, esforços que nenhum resultado produziram, devido às informações falsas fornecidas pela polícia aos tribunais.

No Parlamento Nacional, o sr. dr. Maurício de Lacerda, secundado pelo sr. dr. Nicanor do Nascimento, teve ocasião de se ocupar da prisão e das arbitrariedades cometidas com o nosso companheiro.

Um mês, mais ou menos, depois da sua deportação, o nosso companheiro J. C. Pimenta regressou a S. Paulo, não tendo sido, até agora, incomodado pela polícia.

* * *

Além dos fatos citados, houve no decorrer do tempo mencionado, diversas pequenas questões entre os companheiros associados à União dos Trabalhadores Gráficos e os proprietários de diversas oficinas gráficas da capital, questões essas que tiveram solução satisfatória para ambas as partes.

* * *

A relação dos fatos que vimos de enunciar reflete o que de mais importante tem ocorrido na União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo, no curto espaço de 11 meses. Os resultados obtidos encorajam e animam os gráficos paulistas a perseverar na luta, certos de que tempos melhores hão de vir para o proletariado, em que as suas reivindicações serão estabelecidas e garantidas, devido, principalmente, à sua união e à sua compreensão dos seus direitos e deveres para com a sociedade que o representa.

Terminando, pois, a nossa resenha, julgamos ter cumprido parte da missão que nos foi confiada pela União dos Trabalhadores Gráficos de S. Paulo, quando nos incumbiu de a representar no Terceiro Congresso Operário Brasileiro.

* * *

Devemos ainda acrescentar que esta União não tem perdido de vista a obra de propaganda no sentido de identificar os elementos da classe com a ação sindical, desenvolvendo os horizontes mentais e criando uma consciência clara dos seus direitos.

É assim que pretendemos realizar, logo que as circunstâncias o permitam, uma série de conferências sobre questões corporativas e sociais, devendo, outrossim, a 1.º de maio próximo, publicarmos um mensário sob o título “O Trabalhador Gráfico”, de propaganda, sendo que esta iniciativa, apesar de já o haver sido há bastante tempo deliberada pela assembleia geral, não foi, contudo, posta em prática devido aos múltiplos incidentes da vida associativa ultimamente surgidos.

Da União dos Empregados no Comércio de Belém, Pará

Aos sete de abril de 1919, foi fundada em Belém, Estado do Pará, uma associação de classe para tratar de defender os interesses dos empregados no comércio, denominada União dos Empregados no Comércio do Pará.

Uma vez fundada e com certo número de adeptos, esta União tem sabido cumprir rigorosamente com os seus deveres ao lado dos demais trabalhadores, já procurando auxiliar todos os empregados no comércio, para o seu levantamento moral e material, o que em grande parte tem conseguido, já procurando incentivar a propaganda que neste Estado se tem acentuado.

Em sua sede deu guarida a diversos sindicatos em organização e a uma escola de educação racional, para os ajudar na sua obra de alevantamento dos trabalhadores.

Até à data de sua fundação, viviam os empregados no comércio num indiferentismo quase que absoluto com referência às organizações operárias. Comquanto existissem, dispersos entre eles, elementos que muito bem compreendiam a necessidade de unir todos os trabalhadores para um só ponto, para um só fim, congraçar o coração do proletariado num grande elo de solidariedade.

Fundada, pois, a União dos Empregados no Comércio, feita a propaganda necessária, notou-se logo uma espécie de explosão, que seria definitiva, saindo de todos os peitos, até dos mais indiferentes. Era de prever que assim fosse, tendo em vista o estado degradante que ao tempo afligia, degradava, aviltava esta enorme massa de oprimidos, na sua maioria de famintos, de que é constituída a classe caixeiral menos favorecida.

Fustigado no seu íntimo o desejo de liberdade e bem-estar, compreendedores da situação horrível que caracterizava a sua vida de escravos, logo procuraram melhorar a situação em que há anos permaneciam, e uma atmosfera de protesto se fez sentir contra as brutalidades, a desumanidade com que, na sua maioria, eram tratados pelo patronato escravizador.

Com a circulação de contínuos prospectos revolucionários, todos aprenderam, se não a cumprir, pelo menos a compreender os deveres de todos os trabalhadores na luta sem tréguas contra o capital, contra, sobretudo, a escravidão de que eram vítimas.

Por diversas vezes, de julho de 1919 a fevereiro de 1920, elementos desta União fizeram brilhante defesa pela imprensa burguesa, sustentando, até, polêmicas com associações patronais, como, por exemplo, com a Associação dos Merceeiros do Pará, etc., etc.

Diversas representações foram feitas ao Conselho Municipal reclamando contra o não cumprimento da lei do descanso dominical, contra os serões consecutivos e fatigantes com que todos os patrões atrofiavam e tolhiam os seus empregados subalternos.

Através desta luta gigantesca, houve algumas vítimas e sacrificados, perseguições a camaradas que mais se manifestaram em prol das legítimas aspirações de reivindicar mais um pouco de melhoria e liberdade para os empregados no comércio.

Em certo ponto, como ainda no momento que atravessamos, nota-se um quase esmorecimento e retraimento por parte de alguns empregados no comércio menos conscientes, motivados precisamente pelas perseguições sofridas.

Apesar de tudo isso, os elementos que absolutamente não olham a sacrifícios, continuam avante, com o único fim de fazerem da União dos Empregados no Comércio uma verdadeira força inquebrantável, capaz de pôr cobro à exploração patronal e de convergir a classe caixeiral para o ideal sindicalista, anciado por todos os proletários, e que, esperamos, seja um fato num futuro próximo e regenerador.

Conseguiu o cumprimento da lei municipal que concede um dia de descanso semanal a todo empregado no comércio.

Conseguiu, após renhida polêmica na imprensa burguesa, a lei que regulariza atualmente o descanso dominical aos empregados em farmácias.

Antes desta vitória admirável, os empregados de farmácias trabalhavam desde as 6 horas até as 22; hoje, porém, somente trabalham das 7 às 19 horas.

Além disso, não tinham o descanso e a folga semanal, conseguindo-o por turmas, que dão em resultado três domingos de folga e de descanso e um de trabalho.

Presentemente, uma luta se trava com o fim de conseguir-se o descanso para os empregados de botequins e de pôr termo às absurdas matrículas impostas aos empregados inferiores.

Finalmente, ao lado dos trabalhadores do Pará, esta União continuará no fiel cumprimento do seu dever, procurando a completa organização dos empregados no comércio, procurando, sobretudo, a aproximação e a confraternização internacionais trabalhistas.

Não sendo este um relatório extenso, devido à infância da nossa associação, compreendemos, entretanto, ter relatado, em si, os fatos mais extraordinários e de mais importância do nosso movimento associativo.

Belém do Pará, 4 de abril de 1920.

O secretário geral, Mario Pereira Amador.

O secretário do expediente, Fernando Nazareth.

O secretário de atas, Francisco M. de Carvalho.


Anúncio: “Voz do Povo”

“VOZ DO POVO”

Diário da manhã de grande formato

Porta-voz das classes laboriosas do Rio de Janeiro

Colaboração dos mais conhecidos militantes do movimento proletário e social, tanto nacionais como do exterior — Colaboração dos militantes da vanguarda e dos publicistas brasileiros estudiosos da questão social.

Todos os partidários da causa da liberdade e todos os operários devem assiná-lo ou comprá-lo avulsamente

Redação: — Rua da Constituição, 12 — RIO DE JANEIRO


Anúncio: Canhenho Proletário do Brasil

Era nossa intenção inserir permanentemente no BOLETIM um indicador das associações operárias existentes no Brasil; como, porém, ao organizá-lo verificamos que teríamos de ocupar algumas páginas, desistimos desse intento, resolvendo publicar, em folheto, um CANHENHO PROLETÁRIO DO BRASIL.

Esse CANHENHO, que será posto à venda dentro em breve, revertendo o seu produto em proveito da obra da C. E. 3.º C. O., reunirá todas as indicações referentes às organizações, jornais, escolas, grupos e bibliotecas proletárias existentes no país.

Pedimos pois, que, com a máxima urgência, nos sejam remetidas as informações necessárias para esse fim.

Democracia e Sindicalismo

Contra a política parlamentar e pela ação direta

Por toda a parte, pode dizer-se, triunfa a democracia. As liberdades públicas tanto ansiadas, afirmaram-se, depois da grande convulsão dos fins do século XVIII, nos espíritos mesmo os mais conservadores e são hoje, na generalidade, um fato. Os próprios impérios capitulam diante da onda popular, e o operário e o trabalhador, o assalariado e o produtor, que foram quem na realidade as implantou e por elas jogaram a vida, devem aproveitá-las com o altivo desassombro do conquistador para a derradeira batalha decisiva, lançando no chão, ainda úmido do seu sangue, a semente da vitória de amanhã — a sua emancipação, complemento prático da vitória de ontem.

Não durma o trabalhador à sombra dos louros colhidos e considere que a mais angustiosa jornada está ainda por fazer, a democracia sendo apenas o transpor da odiosa fortaleza de ouro cimentada com o sangue das raças escravas, onde deglute, desde o começo das idades, o insaciável devorador de quanto o esforço humano vai produzindo. A democracia não pode satisfazê-lo. A democracia não pode ser o seu fim.

O operariado, é inegável, beneficia de certas reformas realizadas pelo regime democrático; mas esses benefícios só o atingem dum modo indireto, isto é, não propriamente como “classe”, mas dentro da expressão coletiva e global de “povo”. Não é, pois, a democracia o regime onde estejam definidas todas as aspirações das classes operárias, assentando como assenta numa base equívoca. Nesta hora adiantada do progresso, a invocação da fórmula liberal em que se apoiam as democracias começa a cair no descrédito em que soçobrou o princípio basilar das monarquias. Se o “direito divino” era um absurdo que capitulou perante o livre exame, a “soberania popular” é uma abstração que não corresponde mais à realidade no atual momento histórico, em que se determinam correntes de diferenciação cada vez mais pronunciadas nesse agregado amorfo que se chama “povo”. A democracia é ainda, como no antigo regime, o governo do patrão, do rico, do explorador, cujos interesses estão em absoluto antagonismo com os da massa que produz.

O nosso operariado sabe-o bem. A sua vitória foi apenas uma vitória moral. As vantagens econômicas recolheram-nas os “políticos” que quinhoaram entre si os despojos da batalha. E se o operário quis melhorar um pouco a sua situação teve de lançar-se violentamente no caminho da luta, entre o coro de imprecações dos que ele erguera nos escudos da glória. O operário sabe, pois, o que tem a esperar da democracia. Que fazer então? Libertar-se. Como? Elegendo deputados? De modo algum.

O voto é a corrupção, é a abdicação; é uma incoerência e um contrassenso. O nosso operário sabe, por experiência, que leis os republicanos fizeram vingar no parlamento e deduz daí as vantagens que lhe arrancariam deputados seus.

Que fazer, pois? Emancipar-se, tornar-se autônomo por meio do “sindicato”, tratando ele próprio dos seus próprios interesses e abstraindo-se por completo da política partidária. Tal é o “sindicalismo”.

Mas criando o sindicato, o trabalhador deve ter a consciência de que é um espoliado, uma vítima da exploração patronal e que lhe assiste o direito na participação do bem-estar que ele cria; e desde que o não tem, e desde que lhe é negado, readquiri-lo como uma parcela do seu ser de que se sentisse despojado, violentamente, fora de todos os meios legais, pela “ação direta”, ou seja a luta organizada sistematicamente contra o patronato, esse irreconciliável adversário de todas as horas e de todos os momentos, com o qual jamais deve haver trégua. Eis o “sindicalismo revolucionário” ou sindicalismo propriamente dito, em oposição ao “sindicalismo reformista”, acomodatício, de conciliações e acordos, comedido e legalista, que não investe contra os princípios fundamentais da exploração capitalista e que, só por ser preconizado pelo patrão, todo o operário consciente deve repudiar.

* * *

As diferenciações sociais baseadas outrora nos privilégios, nos preconceitos de raça, de casta e de religião, essas como que rugas do corpo social, pouco a pouco as foi apagando o nivelamento igualitário dos séculos, a onda aluvial das revoluções. Uma linha divisória — que é um abismo, se conservou, porém, e cada vez mais nítida, separando os homens implacavelmente. Esse abismo é a propriedade privada, o mais forte esteio do poder e da autoridade; e é ela que origina a exploração do homem pelo homem e mantém no século da liberdade de consciência o privilégio iníquo do capitalismo. Considere o operário que só pela organização revolucionária do trabalho, isto é, pelo sindicalismo, conseguirá vencer as sobrevivências funestas das odiosas eras de opressão e de tirania.

A BATALHA.


O sinete confederal

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O sinete da C. E. do Terceiro C. O. B. será fornecido a todas as organizações aderentes, que dele se utilizarão nos impressos sindicais — jornais, manifestos, boletins, estatutos, talões, papéis para ofícios e cartas, envelopes, etc.

A primeira encomenda de “clichês” já foi feita. Cada sinete expedido, registrado, pelo correio, fica em 6$000.

As associações devem enviar os seus pedidos, acompanhados das respectivas importâncias, em vales postais ou cartas com valor declarado, para Edgard Leuenroth, Caixa Postal 1.336, S. Paulo.

Conselho Geral dos Trabalhadores do Rio de Janeiro

Um dos bons resultados do Congresso

No Rio, existiam, até antes da reunião da constituinte proletária de abril, quatro federações de trabalhadores, reunindo associações de indústrias diversas, além de várias associações autônomas, que não mantinham relações entre si, estabelecendo-se, somente, de quando em vez, acordos, momentâneos entre umas e outras, em ocasiões de movimentos de certa relevância. Atendendo à necessidade de reunir federativamente as forças em um bloco poderoso, o Congresso tomou a resolução seguinte, que o operariado da capital da República e do Estado do Rio está tratando de pôr em prática.

O Terceiro Congresso Operário do Brasil, estudando a atual situação do operariado associado do Rio de Janeiro, considerando que o isolamento em que se mantêm as diversas organizações existentes, que agem cada qual pelo seu lado, mesmo quando se trata de questões de caráter geral de interesse comum, e considerando que com um entendimento entre as mesmas organizações se conseguirá robustecer a eficiência de cada qual em particular e de todas em conjunto, como se evidenciou recentemente, aconselha à classe trabalhadora associada do Rio os seguintes alvitres, tendentes a se conseguir o desejado entendimento:

1.º — Que completem ou formem as federações da seguinte forma:

a) Federação dos Trabalhadores dos Transportes Terrestres, que reunirá as organizações dos obreiros de todos os meios de locomoção e transportes de terra;

b) Federação dos Trabalhadores dos Portos, Marítimos e Fluviais, constituída pelo operariado organizado dos misteres do porto, do mar e dos rios;

c) Federação dos Trabalhadores, que reunirá as associações de indústria, do comércio e classes relacionadas e do campo;

d) Federação Operária do Estado do Rio, que reúne as associações de Niterói e mais cidades circunvizinhas da Capital Federal;

2.º — Que, como medida transitória necessária para a unificação do operariado organizado, as federações admitam em seu seio, até que seja possível a fusão das mesmas, as classes que presentemente têm mais de uma associação de resistência;

3.º — Que como órgão de entendimento entre todos esses organismos seja formado o Conselho Geral dos Trabalhadores do Distrito Federal e Estado do Rio, constituído por três membros de cada Federação e um das associações que se mantenham autônomas, sem que com esse entendimento sejam prejudicadas de maneira alguma a autonomia e a orientação de cada uma;

a) O Conselho Geral reunir-se-á pelo menos uma vez por mês;

b) Com o fim exclusivamente de executar as deliberações do Conselho Geral, este constituirá uma Comissão Executiva composta de um dos delegados de cada Federação e um pelas associações autônomas, sendo que este será escolhido em reunião conjunta das diretorias dessas associações. Essa Comissão Executiva reunir-se-á pelo menos duas vezes por mês;

4.º — Ao Conselho Geral incumbirá resolver sobre todas as questões de interesse coletivo das organizações operárias, como agitações, protestos e movimentos gerais, devendo as suas resoluções representar a vontade das classes, que terão de ser consultadas e se pronunciarem em assembleias gerais;

5.º — Para custear as despesas que por ventura determine a ação do Conselho Geral, será estabelecida pelo mesmo a maneira mais equitativa e dentro das possibilidades de cada organização.

O Congresso torna extensivo estes conselhos a todas as organizações das cidades que, por ventura, se encontrem em idênticas condições.


O operariado do Brasil e a situação internacional proletária

Solidário com o proletariado internacional em luta pela emancipação integral de todos os oprimidos da terra, o 3.º C. O. B., lídimo e genuíno representante do proletariado brasileiro organizado, resolve:

I — Declarar a sua expectativa simpática em face da 3.ª Internacional de Moscou, cujos princípios gerais correspondem verdadeiramente às aspirações de liberdade e igualdade dos trabalhadores de todo o mundo.

II — Encarregar a C. E. T. C. de entrar em imediatas relações com os organismos federativos que mantenham orientação concorde com a orientação firmada pelos Congressos Operários do Brasil de 1906, 1913 e pelo atual.

III — Encarregar a C. E. T. C. a entrar em acordo com os organismos federais e confederais sul-americanos, no sentido de promover a realização, dentro do mais breve prazo possível, de um Congresso Operário Sul-Americano.

O proletariado e a Revolução Russa

Defendemos com a maior energia, sem receiar perseguições nem violências, a Revolução Russa. Vemos no movimento moscovita uma insurreição de caráter acentuadamente social, que tem inúmeros pontos de contato conosco, e é a primeira revolução que teve a coragem de inscrever na sua bandeira a restituição da terra e dos instrumentos de trabalho aos assalariados. É uma Revolução Social, devido ao que tem recebido violentíssimos ataques da burguesia de todo o mundo e o apoio decidido de todos os revolucionários sinceros que, não abdicando de diferenciações filosóficas, verificam o “fato” e procedem segundo os ensinamentos que dele emanam. Tem sido esta a nossa atitude. Desejamos sempre ardentemente que a Revolução esmagasse os seus inimigos, que vencesse as dificuldades que se levantavam a seus pés, que, enfim, resultasse vitoriosa a primeira grande tentativa de aplicação dos princípios socialistas que, até agora, excetuando o episódio da Comuna de Paris, não tinham saído do domínio da metafísica. Quanto aos crimes e virtudes que lhe apontam, uns para a arrastar mais baixo que a lama, outros para que as multidões a venerem quase que religiosamente, não nos pronunciamos, porque difícil é, ainda hoje, para quem queira proceder com consciência, traçar um quadro da vida russa em todos os seus aspectos, com tintas puras e contornos verdadeiros. Aceitando a designação de “bolchevistas”, porque a burguesia engloba nela todos aqueles que aspiram à liquidação da sociedade burguesa, não desejamos, porém, que se adote o padrão russo, pois entendemos que a Revolução não pode ser duma uniformidade absoluta; os movimentos sociais dos vários países têm características tão acentuadas que isso é completamente impossível.

O grito de guerra em Petrogrado e Moscou, durante o mês de fevereiro de 1917, foi: “O poder para os soviets”. Estamos, no entanto, certos de que, se a organização sindical russa estivesse devidamente desenvolvida, oferecendo a robustez necessária, os revolucionários gritariam antes: “o poder para os sindicatos”, pois como Salvador Segui disse, ultimamente, num dos seus magistrais discursos, não devemos considerar o sindicato só como uma arma para obter aumentos de salário, melhoramentos das condições oficinais, redução da jornada de trabalho, mas ainda como a célula da Sociedade Futura. Esta é a nossa atitude: defendemos a Revolução Russa, através de tudo e contra todos; quanto às suas teorias não as aceitamos em absoluto, e, quanto aos seus métodos de ação, não os conhecemos tão bem que acerca deles possamos pronunciar-nos com segurança.

A BATALHA.


Início dos trabalhos da Comissão Executiva do 3.º Congresso

O que foi resolvido nas duas reuniões realizadas no Rio, no mês de agosto

Primeira reunião

Por convocação do camarada Edgard Leuenroth, secretário geral, realizou-se em 1.º de agosto do corrente ano, na sede da Aliança dos Operários em Calçados e Classes Anexas, uma reunião com o fim de dar início aos trabalhos da Comissão Executiva do 3.º Congresso Operário do Brasil.

Esteve representado todo o proletariado organizado do Rio e Estado do Rio, pois compareceram à importante assembleia os delegados de todos os seus organismos, como sejam: Federação dos Trabalhadores do Rio de Janeiro, Federação dos Condutores de Veículos, Federação dos Trabalhadores do Mar e Anexos (em organização), Federação Operária do Estado do Rio, além da Comissão Organizadora do Congresso, os membros da Seção do Centro da C. E. e o representante da “Voz do Povo”.

Os trabalhos foram iniciados pelo camarada Edgard Leuenroth, que, após a constituição da mesa, tomou a palavra para fazer uma exposição dos motivos por que somente então, a contragosto geral, se tratava de normalizar a existência da C. E., dando começo aos seus trabalhos tendentes a dar execução às resoluções do Congresso.

Disse que, conforme havia declarado no Congresso, quando seu nome foi indicado para o lugar de secretário geral da C. E., a sua ida para o Rio dependeria do trabalho necessário para se desembaraçar de algumas iniciativas do nosso meio em que estava envolvido em S. Paulo e também de resolver a sua situação particular, o que somente tinha conseguido em parte, razão pela qual se via na obrigação de pedir que se providenciasse para a sua substituição por outro camarada residente no Rio ou a aceitar-se, em caráter provisório, até que isso possa ser feito, o plano que passou a expor.

Para que a C. E. possa entrar imediatamente em atividade, caso não se resolvesse a sua substituição, comprometia-se a executar em S. Paulo todo o trabalho que lhe competiria, indo ao Rio uma vez por mês, a fim de se reunir com o tesoureiro, o secretário excursionista e o Conselho Consultivo. Assim, para a capital paulista deveria ser dirigida toda a correspondência referente à secretaria, sendo endereçada para o Rio a que se relacionasse com a tesouraria.

Por meio dos nossos jornais e do “Boletim da C. E.”, daria conta de todas as comunicações, além do relatório a ser apresentado mensalmente.

Sobre o assunto travou-se animada troca de ideias entre os presentes, deliberando-se, por

fim, por acordo geral, aceitar o plano apresentado pelo camarada Edgard, cuja nomeação para secretário geral foi confirmada.

Desdobramento das atribuições dos secretários excursionistas

Passou, a seguir, o camarada Edgard, a demonstrar a conveniência de desdobrar as atribuições dos secretários excursionistas, cuja obra de propaganda e organização poderia ser ampliada, confiando-se-lhes a missão de trabalhar ao mesmo tempo, em suas viagens, em prol dos nossos jornais.

Dessa forma, os seus esforços seriam mais compensadores, porquanto teriam a possibilidade de percorrer um maior número de localidades, beneficiando, conjuntamente, a imprensa proletária e os seus organismos sindicais, com o aproveitamento simultâneo das despesas.

Essa proposta mereceu apenas manifestações de assentimento, sendo, por isso, aprovada.

“Boletim da Comissão Executiva”

Sendo demonstrada a conveniência da C. E. manter uma publicação sua para dar conta dos seus trabalhos, aprovou-se publicar mensalmente o “Boletim da Comissão Executiva do 3.º Congresso”, que servirá de veículo de comunicação entre as seções da C. E. e os sindicatos, operários em geral.

Relatório do Congresso

A fim de que o proletariado possa orientar-se devidamente sobre as resoluções tomadas pelo Congresso, foi resolvido que a C. E. trate de publicar o mais breve possível o relatório contendo o resultado de todos os seus trabalhos.

O sinete da C. E. do Congresso

Aos delegados presentes foi apresentado um esboço pelo qual deverá ser feito o sinete da C. E. a ser distribuído às organizações aderentes, sendo aceito.

A contribuição das organizações para a C. E.

Sobre a contribuição com que as organizações aderentes deverão entrar para o fundo da C. E., deliberou-se que a mesma seja prestada do mês de agosto em diante.

Tendo o secretário da Federação dos Trabalhadores comunicado que algumas associações já entraram com certas importâncias, ficou assentado considerá-las como contribuições voluntárias, deixando, também, ao alvitre das organizações que tomaram resoluções a respeito, de contribuírem espontaneamente com as quotas dos meses anteriores.

O saldo das entradas para as despesas do Congresso

Em vista de ter a Comissão Organizadora do Congresso comunicado haver um saldo das contribuições para as suas despesas, resolveu a assembleia que o mesmo passasse para a C. E.

A aprovação das resoluções do Congresso

Como muitas associações ainda não se pronunciaram sobre as resoluções do Congresso, decidiu-se dirigir um apelo às mesmas para que o façam urgentemente, decidindo sobre a sua adesão à C. E. e sobre a contribuição de 10 réis por sócio quites que lhes caberá pagar.

Contra a Lei Adolfo Gordo

Ao terminar a reunião, que em todos deixou excelente impressão e entusiasmo, resolveu-se lançar um veemente protesto contra a lei celerada em discussão na Câmara Federal, tendo usado da palavra vários camaradas, entre os quais um dos representantes das associações marítimas, que se associou à campanha contra esse atentado aos direitos proletários.

Por fim aprovou-se a seguinte moção:

“Os representantes das organizações operárias do Distrito Federal e do Estado do Rio, reunidos em sessão inicial de constituição definitiva da Comissão Executiva do Terceiro Congresso Operário, legítima intérprete do proletariado do Brasil;

considerando que o monstruoso projeto Adolfo Gordo constitui uma gravíssima ameaça à liberdade de pensamento e de associação, essencial à obra emancipadora dos trabalhadores desta terra;

torna público o seu mais formal protesto contra os propósitos reacionários contidos no espírito e na letra do referido projeto, e concita o proletariado militante de todo o Brasil a uma enérgica e imediata campanha de defesa da integridade do seu movimento.”

Segunda reunião

Na sede da Associação dos Marinheiros e Remadores teve lugar a segunda e animada reunião da Comissão Executiva do Terceiro Congresso Operário, conjuntamente com o Conselho Consultivo da Seção do Centro, constituído por delegados das Federações dos Trabalhadores, de Condutores de Veículos, dos Trabalhadores do Estado do Rio, que estavam todas representadas.

A sessão foi iniciada pelo camarada Edgard Leuenroth, que, a seguir à constituição da mesa e à aprovação da ata da reunião anterior, passou a expor os assuntos a serem resolvidos.

Os secretários excursionistas

De acordo com as resoluções tomadas na primeira assembleia, os secretários excursionistas terão a incumbência de, em suas viagens, conjuntamente com a obra de organização da classe obreira, trabalhar pela divulgação dos jornais proletários.

Decidiu-se, por isso, que o camarada Domingos Passos, secretário excursionista da Seção do Centro, entrasse imediatamente em relações com a direção da “Voz do Povo”, a fim de assentar as bases da primeira excursão de propaganda pela zona a seu cargo.

Igual resolução foi tomada quanto à Seção do Sul, com sede em S. Paulo, cujos componentes terão de agir, com respeito às excursões, de acordo com a direção d'“A Vanguarda”, órgão das organizações proletárias do mesmo Estado.

Em relação às seções do norte, extremo-norte e do extremo-sul, com sedes, respectivamente, em Recife, Belém do Pará e Porto Alegre, ficou o camarada Edgard de consultar as Federações respectivas sobre as resoluções que tomaram a propósito.

Atendendo à situação anormal em que se

encontram as relações entre as organizações operárias de Pernambuco, em consequência de mal-entendidos que, infelizmente, ainda não foram de todo sanados, ficou dependendo o início da atividade da seção do Norte, com sede em Recife, do trabalho a fazer.

Em prol da concórdia do proletariado pernambucano

A esse propósito falou demoradamente o camarada José Elias da Silva, indicado pelo Congresso para fazer uma viagem àquele Estado nortista com o fim de trabalhar pelo restabelecimento da concórdia no seio do seu operariado.

Além do camarada Elias, que prestou os necessários esclarecimentos referentes ao caso, falaram ainda outros companheiros, decidindo-se, por fim, dirigir um apelo em nome da C. E. do Terceiro Congresso às associações daquele ponto do país, para que deem por finda as desavenças, reatando os laços de solidariedade entre todos, a fim de prosseguirem unidos na luta em prol dos direitos comuns.

Nesse sentido foram expedidos o telegrama e o ofício que figuram noutra parte do “Boletim”.

Ficou também deliberado que o camarada Elias parta logo que seja possível para Pernambuco, onde deve realizar uma excursão de propaganda.

As organizações que ainda não se pronunciaram sobre o Congresso

A C. E. resolveu dirigir um caloroso apelo às organizações que ainda não se pronunciaram sobre as resoluções do Congresso para que o façam urgentemente, pois sem isso os seus trabalhos não poderão ser executados com a necessária regularidade.

Esse apelo é dirigido não somente às Federações e Uniões Gerais, como também às associações isoladas, que devem discutir as referidas resoluções em suas assembleias e decidirem igualmente sobre a quota de 10 réis por sócio quites, com que, a contar do mês de agosto, deverão contribuir para a C. E.

Congresso Operário Sul-Americano

Tendo o C. O. B. resolvido provocar a realização de um congresso das organizações operárias sul-americanas, resolveu a C. E., em harmonia com deliberação tomada na reunião anterior, enviar uma circular às organizações proletárias aderentes à C. E., consultando-as sobre a sede e a data a serem propostas às agremiações dos demais países.

Os conselhos consultivos das seções

Consoante as determinações do regulamento da C. E., elaborado pelo Congresso, as Federações das cidades destinadas para sedes das cinco seções em que foi desdobrada a mesma C. E. devem destacar dentre seus componentes três camaradas para, formando os Conselhos, trabalharem conjuntamente com os secretários permanentes e excursionistas.

Como no Rio (Distrito Federal) e no Estado do Rio existem quatro Federações, que estabeleceram as relações entre si com a criação do Conselho Geral dos Trabalhadores, ficou a cargo deste Conselho nomear os três membros da Seção do Centro.

A C. E. espera, pois, que isso seja feito com a máxima urgência.

Manifestações de fraternidade associativa

Depois de se trocar ideias e deliberar sobre detalhes da vida administrativa da C. E. e a propósito da normalização da existência da Federação dos Trabalhadores Marítimos e Anexos e do Conselho Geral dos Trabalhadores do Rio de Janeiro, bem como da conveniência de adaptar o nome da F. dos T. do R. J. ao seu caráter e de serem realizadas as reuniões das Federações do Rio em mesmo dia, terminou a bela reunião, que em todos deixou magnífica impressão, com discursos de companheiros estivadores e de outras classes, que demonstravam os benefícios do entendimento entre as organizações todas, com o que tanto já se tem conseguido em prol da nossa obra.


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“A VANGUARDA”

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Relatório do 3.º C. O. B.

Está sendo confeccionado e vai entrar para a máquina o relatório contendo todas as resoluções do Terceiro Congresso e também as dos Primeiro e Segundo Congressos, realizados em 1906 e 1913.

É um trabalho importantíssimo, que deve ter a mais larga divulgação possível no meio proletário.

Como, porém, exigirá uma despesa considerável e a C. E. está desprovida dos recursos necessários para esse fim, é preciso que as organizações de todo o país remetam imediatamente as quantias de que puderem dispor, recebendo depois o número de exemplares correspondentes às mesmas e que poderão ser vendidos aos associados.

Pela confraternização do operariado de Pernambuco

Intervenção amistosa da C. E. 3.º C. O. para que terminem as desarmonias

Há meses, surgiu uma desavença no seio do operariado organizado de Pernambuco, em consequência de fatos que foram interpretados como perturbadores das normas sindicalistas revolucionárias. Provocou isso uma cisão, que separou algumas associações da Federação das Classes Trabalhadoras, reunidas depois na Federação Sindicalista. Esse fato preocupou seriamente os militantes do nosso meio, sendo ventilado no Congresso, e serviu também de objeto de atenção à C. E., que resolveu esforçar-se no sentido de se conseguir restabelecer a harmonia entre companheiros em divergência.

O apelo da C. E. 3.º C. O.

“Prezados camaradas:

Saudações fraternais.

Confirmando o telegrama expedido ontem, vimos, por meio desta, da qual é portador o estimado companheiro Felipe Fagundes, que gratas recordações deixa entre os militantes daqui, reiterar o apelo que a Comissão Executiva do Terceiro Congresso Operário, na assembleia inicial de seus trabalhos, corroborando os esforços empregados nesse sentido pelos companheiros reunidos no memorável certame de abril, resolveu dirigir às organizações de Pernambuco para que lancem ao olvido os mal-entendidos que os separaram e restabeleçam de vez a harmonia necessária na luta contra o inimigo comum, mormente neste excepcional momento histórico em que o proletariado se mostra disposto a dar o golpe decisivo no odioso domínio do capitalismo.

Não nos cabe entrar na apreciação dos fatos que provocaram a cisão. Julgamos, mesmo, que, em rigorosa análise, situações como essa, que desvia momentaneamente uma parte das atenções dos camaradas pernambucanos da causa que nos empolga, abrigam, não raro, algo de zelo pela integridade do nosso movimento.

É de lamentar, entretanto, que, às vezes, no ardor da contenda, se chegue a provocar divisões, com o que só poderão ser beneficiadas as hostes adversárias.

Mais deplorável ainda é, porém, que quando isso, em má hora, se verifica, e se constata que, desprezando os ressentimentos inevitáveis em casos tais, e, principalmente, que, no fundo, de maneira geral a todos anima o interesse da defesa da obra comum, não nos decidimos, num movimento necessário de consciência, a estendermos mutuamente as mãos para o fraternal amplexo.

Bem diz a expressiva estrofe da Internacional:

“Paz entre nós, guerra aos senhores!”

Estamos certos de que os camaradas de Pernambuco, dedicados como têm demonstrado ser, passado o primeiro momento da celeuma inglória, terão pensado maduramente sobre a necessidade de estreitarmos os laços de solidariedade no seio da família proletariana para a consecução do programa grandioso esboçado pelo Terceiro Congresso Operário.

Cremos que, com a adoção por parte das associações desse Estado, para as suas relações federativas, com as devidas adaptações, das bases da União Geral dos Trabalhadores de São Paulo, compiladas de conformidade com as resoluções dos nossos três Congressos Operários, poderão os camaradas fundir as duas federações em uma única, coesa e forte, e darem início a um novo período de fecunda atividade, que nos fará esquecer de pronto os tristes momentos de desarmonias.

O camarada Felipe Fagundes está habilitado a, verbalmente, expor de maneira mais satisfatória o alcance da indicação feita acima.

Firmemente convencidos de que dentro em breve poderemos registrar o acontecimento auspicioso da confraternização do proletariado pernambucano, em nome da Comissão Executiva do Terceiro Congresso Operário enviamos a todos os camaradas dessa região do Brasil um fraternal abraço.

Saúde e solidariedade.”

Como se pronunciou a “Hora Social”, órgão da F. T. P.

Assinado pelo camarada Edgard Leuenroth, recebeu a Federação das Classes Trabalhadoras o seguinte telegrama:

“Comissão Executiva Terceiro Congresso iniciando trabalhos apela organizações Pernambuco bem interesses gerais proletariado restabeleçam harmonia.”

Não precisamos repetir aos camaradas, ora divididos, a necessidade da paz entre nós e consequente guerra aos nossos senhores. Esta necessidade ressalta à visão mais curta, à inteligência menos cultivada, por isso que a presente o próprio instinto de defesa, a lei mesma de conservação. O que convém a todo o transe é que a necessidade natural da solidariedade não seja estorvada no caminho de sua objetivação por meras convenções sectárias, por espírito de partido, onde quase sempre predomina a nota pessoal. É preciso começar a luta pela emancipação, lutando dentro de nós mesmos contra os nossos preconceitos, os nossos prejuízos, o nosso egoísmo avassalador, bárbaro, anacrônico. Segundo Fouillée, é justamente esse trabalho interior que explica a marcha do nosso espírito para a emancipação, num contínuo evoluir para um estado de maior liberdade.

Não esquecer que no ego-altruísmo está condensado o princípio da verdadeira moral. Homem e Humanidade são valores que se não compreendem isoladamente. Viver para a Humanidade, cada qual a seu modo, conforme suas tendências, suas aspirações, — é viver a vida integral, é ascender para a Perfeição.

Camaradas: O telegrama da Comissão Executiva do Terceiro Congresso, o

Maior do nosso exército igualitário, é o serviço inicial do arroteamento para a bela e deslumbrante cidade da Harmonia, em cujas altas e delicadas ameias deveremos estar brevemente unidos para, unidos, entoarmos a “Marselhesa de Fogo”, no dia glorioso em que o Burgo Podre for devorado pelo incêndio da Revolução Universal.

Daqui sugerimos uma ideia:

Pensamos que a Federação das Classes Trabalhadoras deve convidar as associações filiadas à Federação Sindicalista, e a Federação Sindicalista deve convidar as associações filiadas à Federação das Classes Trabalhadoras — para uma conferência que, um pouco ampliado o seu objetivo, bem pode ser a 2.ª conferência Sindicalista de Pernambuco.

Discutidos vários pontos de teoria e de tática, lançadas as bases de um programa uniforme e comum, os delegados à Conferência, que podem ser os delegados atuais ou especiais, o que se nos afigure melhor, sancionarão o acordo tão almejado por nós outros e por todos os verdadeiros combatentes da causa libertária.

Essa Conferência poderá funcionar durante três dias, para que haja tempo de se comunicarem os delegados com as classes respectivas, consultando e recebendo delas as sugestões e instruções necessárias.

Ainda mais: é absolutamente preciso, para bom êxito do tentame, que sejam relegados os costumes e práticas reinantes nas assembleias burguesas, isto é, diplomacia secreta, deslealdade, capadocagem política.

Isto porque nós outros anarquistas não somos apenas os revolucionários da Economia, mas, sobretudo, os revolucionários da Moral.

Aqui fica a nossa sugestão. Estudem-na os camaradas.


A concórdia, enfim!

Estava já composta e preparada para entrar para a máquina a matéria acima, quando uma notícia telegráfica, em três palavras apenas, nos trouxe a boa nova, que nos encheu de entusiasmo, de que a concórdia voltou a reinar entre os trabalhadores de Pernambuco.

“UNIFICAÇÃO TRABALHADORES PERNAMBUCANOS” — diz o expressivo despacho.

Bravo! Ao proletariado organizado daquele Estado nortista as saudações efusivas da C. E.

Avante!


Métodos de Organização

Embora todas as moções aprovadas pelo 3.º C. O. B. devam figurar no relatório a aparecer dentro em breve, é de toda oportunidade a inserção neste número do BOLETIM da resolução, confirmando as dos dois Congressos anteriores, referente aos métodos de organização, que podem servir de elemento de orientação aos militantes empenhados em todo o país na arregimentação do operariado.

Considerando que a ação operária constante, maleável e pronta, sujeita às diversas condições de tempo e lugar, seria grandemente embaraçada por uma concentração;

que a solidariedade deve ser consciente e o concurso de cada unidade só tem valor quando voluntariamente dado;

que o abandono do poder nas mãos de poucos impediria o desenvolvimento da iniciativa e da capacidade do proletariado para se emancipar, com o risco ainda de serem os seus interesses sacrificados aos dos diretores;

que o desenvolvimento da indústria faz-se no sentido de exigir de todos os trabalhadores, sem distinção de ofício, uma solidariedade cada vez mais estreita, tendendo a abolir as barreiras que separam as corporações de ofício;

que a união de sociedades por pacto federativo garante a cada uma delas uma larga autonomia; e

considerando, mais, como único método de organização compatível com o irreprimível espírito de liberdade e com as imperiosas necessidades de ação e educação operária, o método federativo — a mais larga autonomia do indivíduo no Sindicato, deste na Federação e da Federação na Confederação, e como unicamente admissível simples delegação de funções sem autoridade:

O Terceiro Congresso Operário Brasileiro aconselha as seguintes normas de organização:

1.º — Que os trabalhadores de cada localidade se organizem por ofício ou indústria em sindicatos de resistência, constituindo-se em sindicatos de ofícios vários os que não reúnam número suficiente para a formação de organismos autônomos;

2.º — Que entre os sindicatos de ofícios e de indústrias seja dada preferência aos de indústrias, por serem os que a prática tem aconselhado, no Brasil e nos outros países, como mais consentâneos com as necessidades do desenvolvimento sindical, pois evitam os exclusivismos de classe sem impedir que as diversas categorias reunidas no seio dos mesmos sindicatos de indústrias possam tratar separadamente das questões particulares que lhe são próprias;

3.º — Que nas cidades onde as diferentes classes, por escassez de número, não possam formar sindicato de ofício ou de indústria, se constituam em sindicatos de ofícios vários, devendo, logo que haja número suficiente de uma mesma classe, formar imediatamente o respectivo sindicato autônomo;

4.º — Que, desde que haja mais de um sindicato numa mesma localidade, eles se organizem em federação local;

5.º — Que, a fim de que as federações locais reflitam mais positivamente a atividade das associações federadas, os delegados às comissões federais ajam junto às diretorias, comissões executivas ou administrativas, participando dos trabalhos das mesmas, pois que assim estarão mais intimamente orientados sobre a vida sindical, estabelecendo relações mais estreitas entre os sindicatos e os organismos federativos;

6.º — Que as federações locais e os sindicatos isolados de ofício, indústria ou ofícios vários se reúnam em federação Estadual;

7.º — Que os sindicatos do mesmo ofício ou indústria se reúnam em federação regional e depois Nacional.

Congresso Operário Regional do Rio Grande do Sul

Realizado nos dias 21, 22, 23, 24 e 25 de março de 1920, em Porto Alegre

Relatório tirado do boletim diário publicado durante os seus trabalhos.

Primeira sessão

Realizada em 21 de março de 1920, às 15 horas, em Porto Alegre.

Abriu-se a sessão com a presença de 30 associações representadas e que são as seguintes: União Geral dos Trabalhadores de Santa Maria, representada por Marciano Belchior Filho; Sindicato dos Of. Var. de Caxias, Adão Lucatelli; Federação Operária de Pelotas, compreendendo 8 organizações, Alberto Lauro; União dos Trabalhadores de Bagé, Venâncio Pastorini e Cecílio F. dos Santos; Sociedade de Resistência de Ofícios Vários, de Sant'Ana do Livramento, Manuel José de Andrade; União Geral dos Trabalhadores, de Rio Grande, Cidálio Pinheiro; Sindicato dos Alfaiates, de Porto Alegre, Tácito Ferreira; “O Sindicalista”, Luiz Derive; Sindicato dos Carpinteiros, Marcineiros e Classes Anexas, Henrique Damian; Sindicato Gráfico Comunista, Orlando Martins; Social Arb. Verein, Pedro Meyer; Sindicato dos Trabalhadores em Fios, Emílio Konrath; Sindicato dos Pedreiros, Emílio Pereira; Sindicato Metalúrgico, Carlos Toffolo; Sindicato Padeiral, Abelardo Corrêa; Sindicato dos Canteiros, Salvador Vega e Francisco Dias; Sindicato dos Pintores, Antônio Soarez; Sindicato dos Sapateiros, Araújo e Silva.

Iniciados os trabalhos sob a presidência de Luiz Derive, secretariado por Cidálio Pinheiro e Manuel José de Andrade, procedeu-se ao reconhecimento dos congressistas. Findo esse trabalho os presentes a “uma voz” entoaram o hino “Filhos do Povo” sob o maior entusiasmo. A seguir, o presidente convida o camarada D. Fagundes para fazer o discurso inicial, sendo esse convite aceito pelo congresso. D. Fagundes faz uso da palavra e em longa oração demonstra a situação atual do operariado universal, abordando várias questões de ordem social, para concluir demonstrando a necessidade inadiável da organização operária no Estado e na nação. Termina apelando para o operário rio-grandense no sentido deste procurar a arregimentação de suas forças emancipadoras, de entrar nos problemas sociais que hoje agitam, desde os seus fundamentos, a mentalidade contemporânea, e aos congressistas, para que tirem o maior proveito dessa reunião, tendo em conta as aspirações e as tendências gerais das classes que representam. Terminada a oração de D. Fagundes o presidente anuncia a discussão das teses, e lê a ordem do dia, apresentada pela comissão composta por Orlando Martins, Alberto Lauro e Cidálio Pinheiro, e que continha as seguintes teses: 1.ª, da Federação Operária de Pelotas, “Organização”: atribuições do sindicato à Federação, da Federação à Confederação e desta à Internacional”; 2.ª, apresentada pela Federação Operária de Pelotas: “Considerando que a correspondência operária é violada nos correios pela reação, de que meios se devem valer as classes operárias para evitar esse atentado?”; 3.ª, da Federação de Porto Alegre: “Qual deve ser a atitude do operariado em face da guerra externa?”

O presidente entrega à discussão do Congresso a 1.ª tese. Faz uso da palavra o seu relator, Alberto Lauro, esclarecendo o espírito da mesma. Abílio Nequete apresenta um projeto de organização, provocando longos debates. O delegado dos gráficos faz várias considerações e apresenta uma proposta, retirando-a, em seguida, em virtude de explicações obtidas de Abílio Nequete.

Fala o representante da Federação Pelotense e alonga-se no estudo da organização operária, mostrando a necessidade de se seguir nova orientação.

O representante do Sindicato dos Sapateiros, numa longa e fundamentada oração, faz uma exposição do sindicalismo, dizendo aceitá-lo e que, se ele não tem dado melhores resultados, é por culpa dos próprios operários.

Fazem ainda uso da palavra os representantes dos alfaiates, dos pedreiros, da U. T. de Bagé e o do S. O. V. de Caxias.

A discussão dessa tese prolonga-se até às 19 1/2 horas, sem se chegar a uma conclusão, o que prova o interesse dos congressistas em resolver com serenidade e consciência as questões suscitadas. Por fim, devido às opiniões desencontradas, o delegado de Pelotas propõe que seja nomeada uma comissão para dar parecer sobre o assunto, o que foi aprovado.

O restante da ordem do dia ficou para hoje, que, de acordo com as deliberações do Congresso, haverá duas sessões, uma das 14 às 18 horas e outra das 20 às 23.

Moções

O Congresso aprovou uma moção de saudação ardente ao operariado revolucionário da Rússia, Alemanha, Itália, Argentina e outros países.

Encontram-se na secretaria do Congresso, dependendo de aprovação, várias moções e entre estas uma de protesto contra a prepotência da polícia paulista, deportando clandestinamente o jornalista libertário D. Fagundes.

Segunda sessão

Realizada em 22 de março de 1920, às 14 horas.

Presidente, Marciano Belchior; secretários, Carlos Toffolo e Tácito Ferreira.

Lido um ofício da S. U. Operária de Bagé desculpando-se por não poder se fazer representar no Congresso por delegado próprio, ou-

torgava direitos de representá-la a Luiz Derive. Esse operário, por várias razões, entre as quais a de desconhecer a orientação daquela União, declarou não aceitar tal encargo.

O presidente submete à discussão a 2.ª tese apresentada pela Federação de Pelotas: “Considerando que a correspondência operária é violada nos correios pela reação, de que meios se deve valer a classe operária para evitar esse atentado?”

O representante do operariado organizado de Pelotas faz uso da palavra e explica as razões de ser da respectiva tese. Segue-lhe com a palavra Venâncio Pastorini, da U. G. T. de Bagé e propõe a organização de serviços postais operários, valendo-se, para isso, das classes marítimas e terrestres. Falam Pedro Mayer, pelo S. A. Verein, e Venâncio Pastorini, propondo que o caso seja entregue às deliberações do 3.º Congresso Operário Brasileiro.

Faz uso da palavra o delegado do Sindicato Gráfico Comunista, Orlando Martins. Faz várias considerações e apresenta uma moção propondo a criação de uma comissão permanente para entrar em entendimento com todas as entidades operárias no sentido de ser organizado o serviço de “Correio operário”. Araújo e Silva apresenta um aditivo, propondo um voto de protesto e acrescenta que, assim que se organizar a Confederação, se declare a greve geral por 48 horas em todo o território da República, em sinal de protesto contra o atentado dos correios. Pelos delegados da Federação de Pelotas e do Sindicato dos Sapateiros foi apresentada uma moção de apoio àquelas propostas, sendo ambas aprovadas.

Passa-se à discussão da 3.ª tese: “Qual deve ser a atitude em face de guerra externa?”. Fala o representante dos metalúrgicos, externando o seu pensamento a respeito. Outro camarada propõe a adoção da resolução do 2.º Congresso Operário Brasileiro, que diz que, em caso de guerra externa, deve-se decretar a greve geral revolucionária.

Segue com a palavra o delegado Araújo e Silva, que faz uma exposição ligeira das guerras, citando atitudes que em face delas tem tomado o proletariado, bem como resoluções de congressos vários, e conclui dizendo que para o êxito dessa greve é preciso que o operariado esteja alerta aos manejos da diplomacia secreta. Segue-se-lhe com a palavra Alberto Lauro, que corrobora as palavras do orador antecedente. Torna a falar Araújo e Silva, e acrescenta que o operariado, em caso de guerra, deve declarar a greve geral e praticar a sabotagem em grande escala.

Os delegados dos Sapateiros e dos Gráficos propõem a criação de uma comissão de inquérito, para conhecer a situação dos países limítrofes, o que foi aprovado.

Alberto Lauro apresenta uma moção que resolve a tese aconselhando que, em caso de guerra, se declare a greve geral e se aplique larga sabotagem nos campos, nas oficinas e nas minas, o que também foi resolvido.

Em seguida, como pouco tempo faltasse para o encerramento da 2.ª sessão, passou-se a exposições várias de ordem geral, falando muitos dos congressistas, abordando questões que dizem respeito aos respectivos sindicatos.

Terminadas essas exposições, às 18 horas, o presidente encerra a 2.ª sessão do Congresso, marcando outra para as 20 horas do mesmo dia (22).


A lei celerada contra o operariado

Querendo sistematizar e dar feição legal a todas as violências que até aqui têm sido praticadas discricionariamente sem o mínimo respeito pelas determinações constitucionais, os governantes deste país, que são, ao mesmo tempo, industriais, fazendeiros, senhores de engenhos e de estâncias e açambarcadores, advogando em causa própria, encarregaram o senador Adolfo Gordo, político de profissão e industrial, de forjar uma lei celerada contra o proletariado.

Esse projeto, que resume em si tudo quanto há de mais infame em matéria de reacionarismo, anulando todas as conquistas liberais, como o direito de associação e de reunião e de expansão do pensamento, já foi aprovado pelo Senado, estando agora em discussão na Câmara Federal.

Semelhante atentado ao espírito progressivo dos nossos tempos não podia passar sem a repulsa do proletariado. De um extremo a outro do Brasil, onde quer que exista um núcleo de atividade, se desenvolve um vigoroso movimento de protesto, em reuniões, assembleias, comícios, por meio de boletins, etiquetas, manifestos e da imprensa, manifestando-se a sua justíssima indignação contra a lei miserável.

A lei arrocho passará porque assim o querem os sátrapas que tiranizam este povo sacrificado, mas estamos certos de que o movimento de repulsa hoje esboçado, amanhã mais potente e decisivo, há de reduzi-la a farrapos de papel.


Pelo Congresso Proletário Sul-Americano

A importante iniciativa vai ser objeto de deliberação do Congresso Extraordinário da F. O. R. A.

Em significativa comunhão de intuitos com o Terceiro Congresso Operário Brasileiro, que resolveu trabalhar pela realização de um congresso operário sul-americano, a Federación Obrera Regional Argentina, com sede em Buenos Aires, e que obedece à orientação dos elementos libertários à sua frente, vai realizar no dia 25 de setembro o seu Primeiro Congresso Extraordinário, no qual o importante certame vai ser objeto de deliberação.

Numa bela demonstração de confraternização internacional dos trabalhadores sindicados, a F. O. R. A. resolveu admitir nesse Congresso os representantes das mais importantes organizações da América do Sul, tendo, nesse sentido, dirigido um convite ao organismo confederal proletário do Brasil.

A C. E. do Terceiro Congresso Operário reunir-se-á para resolver a propósito, sendo provável que um delegado seu vá a Buenos Aires participar do Congresso dos valorosos camaradas da Argentina.

Pelo Brasil Proletário

Em Minas Gerais

BELO HORIZONTE — A C. E. recebeu comunicação da capital de Minas de que naquela cidade os empregados de hotéis, restaurantes, bares, cafés, etc., estão tratando da organização de sua classe, e dispostos a imprimir ao futuro organismo de resistência uma segura orientação de luta anticapitalista.

VARGINHA (Sul de Minas) — A Liga Operária Varginhense, fundada em 1.º de maio de 1913, comunicou à C. E. achar-se administrada sob bases sindicalistas, de acordo com os novos estatutos, aprovados em assembleia geral realizada em 19 de agosto, e que, em outra assembleia, ficou definitivamente constituída a sua Comissão Executiva, formada pelos companheiros seguintes: Alfredo Braga de Carvalho, secretário geral; Antônio Cesário de Souza e Joaquim José Leite, auxiliares do secretário; José Antônio dos Santos, 1.º tesoureiro; João Vidal Filho, 2.º tesoureiro; José Rosa, bibliotecário; João de Paula Alves, procurador.


O “Boletim”

Para facilitar a distribuição deste número do “Boletim”, como há dúvida sobre o endereço de muitas associações, a sua remessa será feita aos secretários das seções da C. E., às Federações e, onde estas não existirem, a algumas das organizações, que se encarregarão, por sua vez, de distribuí-lo às demais, cabendo-lhes o encargo de receber as respectivas importâncias e remetê-las, com a máxima urgência, para o tesoureiro geral, cujo endereço está indicado no expediente.

Cada exemplar deve ser vendido a 200 réis, podendo ser tomadas assinaturas à razão de 12 números por 2$000.


O falecimento do camarada Plácido, delegado ao 3.º C. O. B.

O Congresso encerrou-se com um caso doloroso para os camaradas que nele tomaram parte, bem como para o proletariado em geral: — o falecimento do querido companheiro João Plácido de Albuquerque, delegado dos trabalhadores do Pará.

Saindo do Pará, onde deixou sua velha mãe, de quem era único arrimo, para representar o operariado daquele Estado no Terceiro Congresso Operário Brasileiro, o malogrado camarada estava longe de supor que caminhava para a sepultura.

Ia animado, disposto e resoluto.

Espírito combativo e metódico, Plácido era a personificação do trabalho.

Plácido encontrou no Rio, na brutalidade da polícia, uma das causas principais da sua morte. Enfermando em viagem, na altura da Bahia, aquele camarada foi preso ao desembarcar, juntamente com o seu companheiro de delegação ao Terceiro Congresso, Silva Gama.

Em um xadrez imundo, úmido e abjeto, curtindo horrível febre, Plácido passou momentos horríveis, sem que lhe dessem um alimento, uma gota de água para minorar-lhe os sofrimentos, um calmante para sufocar a sua dor.

Morreu vítima da desumanidade dos seus algozes. A sua morte indicou mais uma mancha negra na história tétrica da guarda pretoriana.

Plácido nasceu, em Minas Gerais, em 15 de Novembro de 1885, tendo, portanto, 35 anos.

Seguindo para o Pará, entregou-se, ali, à luta de reivindicações proletárias desde 1913, lutando desassombradamente, como empregado no comércio. Organizou várias classes e desenvolveu-as, auxiliando com todas as suas forças o trabalho para o bem comum.

Valeu-lhe isso a perseguição do capitalismo, a odiosidade dos magnatas, a ira da polícia. Perdeu o emprego, mas conservou a ideia, de um lado sua mãe, sua velha genitora, de outro o seu ideal, luzindo como uma estrela que lhe guiava a vida. Não desanimou e nas horas em que descansava das lutas libertárias, batalhava pela sua conservação, fazendo cigarros e vendendo-os aos seus camaradas.

Era nobre o seu caráter e só longe do seu meio a polícia ousou deitar-lhe as garras.

Chegou Plácido à capital da República em 25 de abril e foi logo removido para a Central de Polícia, onde ficou enclausurado das 10 às 17 horas, dali saindo para a Santa Casa, onde faleceu em quarto particular às 7 horas, algumas horas após o encerramento do Congresso.

Seu corpo foi removido para a sede da União de Construção Civil, à rua Barão de São Félix, 119, onde ficou em câmara ardente e onde foi visitado por inúmeros camaradas.

No dia 1.º de maio, realizou-se o enterro, que constituiu, pela multidão que nele tomou parte e pelas sentidas manifestações verificadas, uma merecida homenagem ao valoroso combatente proletário.


Informações indispensáveis

Greves e agitações

Devendo o “Boletim” publicar, em súmula, a começar do próximo número, uma relação sobre as greves e agitações que se verificarem em todos os pontos do país, é necessário que as organizações ou classes que neles tiverem intervenção informem a C. E. sobre os pormenores seguintes: corporação, classes ou classe que as realizarem; se estavam sindicadas ou se se organizaram por ocasião dos movimentos; o motivo destes; os centros de trabalho atingidos; o número de operários neles envolvidos; se se registrarem defecções e em que proporções; as datas de seu início e de terminação; o seu desfecho, se favorável, parcial ou totalmente, ou se desfavoravelmente.

Estas informações devem ser fornecidas em notas resumidas, sendo dispensadas considerações de índole geral.

Jornais proletários

Os nossos jornais, já em bom número existentes em diversos Estados, devem procurar inserir todas as informações referentes aos trabalhos da C. E., remetendo permanentemente dois exemplares para o secretário geral, Edgard Leuenroth, Caixa Postal 1.336, S. Paulo.

Boletins, manifestos, etc.

De todos os boletins, manifestos e demais impressos publicados sobre qualquer questão relacionada com o movimento operário, devem ser mandados dois exemplares, em envelopes fechados, para o endereço indicado.

Afirmação de princípios do proletariado organizado do Brasil

O 3.º C. O. B., tendo em vista as condições particulares aos meios operários do Brasil, reafirma em suas linhas gerais as declarações feitas nos Congressos de 1906 e 1913; por outro lado, porém, examinando e ponderando a situação histórica de fato em que se encontra o proletariado mundial neste momento, julga necessário estabelecer, em termos precisos, um critério fundamental, positivo e realista, pelo qual deverão orientar-se todas as organizações, todas as lutas, todos os esforços dos trabalhadores do Brasil.

1. — Toda a vida dos nossos dias, em todo o mundo, gira em torno do choque de interesses entre as duas classes básicas da sociedade: a classe dos trabalhadores e a classe dos capitalistas. Estão de um lado os operários, os produtores, os oprimidos, os pobres; de outro lado estão os patrões, os parasitas, os opressores, os ricos.

2. — A classe dos trabalhadores é a classe que produz efetivamente e diretamente todas as riquezas sociais, e é, no entanto, a classe pobre: a classe dos capitalistas nada produz diretamente, nem efetivamente, e, no entanto, é a classe rica.

Há neste fato concreto uma injustiça concreta, que a consciência das massas proletárias de hoje não pode mais suportar. Daí, o choque de interesses que se transforma numa luta contra a injustiça, numa luta pela justiça.

3. — Essa é a característica histórica dos conflitos sociais do nosso tempo: revolta da consciência proletária contra a injustiça do regime capitalista.

4. — Da consciência desperta e revoltada nasce o desejo de ação; do desejo de ação nasce o emprego da força; do emprego da força nasce a necessidade da organização. A organização, unindo forças dispersas, aumenta a força de cada um e aumenta a força de todos. Desorganizados, os trabalhadores nada podem; organizados, podem tudo.

5. — Ficam, pois, firmados os princípios e as finalidades fundamentais da organização operária: revolta contra a injustiça, luta contra o regime de desigualdade entre os homens; ação pela justiça, luta por um regime de igualdade entre os homens.

6. — Em síntese: a organização operária, constituída sob um princípio de Justiça, tem por fim estabelecer uma sociedade em que todo o produto do trabalho útil de todos seja de fato propriedade de todos os trabalhadores.


Postais do 3.º Congresso Operário

Durante a realização do 3.º C. O. foram tiradas diversas fotografias dos delegados reunidos e da assistência, cinco das quais resolvemos aproveitar para postais da C. E., contendo também o sinete confederal.

As fotografias saíram bastante nítidas, devendo ficar perfeitas nos postais, que poderão circular no nosso meio como uma grata recordação do belo certame proletário de abril.

Assim que ficarem prontos, serão remetidos a todas as associações, para serem postos à venda.


Cooperativa Graphica Popular — Rua Claudino Pinto n. 19-A — Telefone, 734 (Braz) — S. PAULO


Boletim da Commissão Executiva do 3.º Congresso Operario, Anno I, n. 1, S. Paulo, agosto de 1920. Digitalização de exemplar publicado no site do Centro de Cultura Social de São Paulo.
Número único conhecido do órgão da Comissão Executiva eleita pelo 3.º Congresso Operário Brasileiro, reunido no Rio de Janeiro em abril de 1920. Secretário-geral: Edgard Leuenroth. Transcrição integral do fac-símile de 24 páginas. A grafia foi atualizada para a norma vigente, preservando-se sem alteração o vocabulário, a sintaxe, a pontuação e o estilo do original, bem como valores em réis, siglas e nomes de família. Nos prenomes atualizaram-se apenas as convenções ortográficas abolidas (TheophiloTeófilo, AdolphoAdolfo). As marcas de página e as leituras duvidosas constam do código-fonte como comentários.
Cooperativa Graphica Popular, S. Paulo